quinta-feira, 17 de julho de 2025

PGR MOSTRA QUE NÃO CEDE À TRAMOIA DOS BOLSONAROS

Editorial Folhade S. Paulo

Apesar das pressões de Eduardo, Gonet ignorou as ameaças de Trump nas alegações finais do processo sobre trama golpista

A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou na segunda-feira (14) as alegações finais do processo em que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete réus pela trama golpista de 2022-2023. Como seria de esperar, a agressão comercial perpetrada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em nada influenciou o documento.

Assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet, a peça mostra que o Brasil, uma nação soberana, democrática e dotada de Poderes independentes entre si, não se curva às pretensões tirânicas de quem quer que seja.

Ignorando a pressão representada pelo tarifaço de 50% sobre as exportações brasileiras, Gonet manteve o tom contundente que marcou suas demais manifestações nos mesmos autos. Com sobriedade, não se desviou um milímetro da linha de raciocínio que já vinha sendo construída.

De acordo com ele, para além de testemunhos e delações premiadas, um amplo conjunto probatório demonstra a conspiração contra as instituições democráticas, caracterizando crimes como organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe de Estado, entre outros.

Claro que Gonet não usou suas conclusões como resposta à estapafúrdia manobra que uniu Trump aos Bolsonaro, mas a assertividade da peça processual evidencia a distância que existe entre a realidade factual e o mundo delirante em que parecem viver o ex-presidente e sua família.

E, dentro do clã, tudo indica que ninguém é mais refém das próprias ilusões do que Eduardo Bolsonaro. Refugiado nos EUA, o deputado federal pelo PL-SP dedica-se a elaborar tramoias contra o Brasil, na vã esperança de influenciar o julgamento de seu pai no Supremo Tribunal Federal.

Não que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o próprio ex-presidente deem sinais de entender como funciona uma república moderna ou de aceitar suas regras, mas, pelo menos, esboçaram um cálculo racional ao se posicionarem a favor de Tarcísio de Freitas (Republicanos) na pendenga com Eduardo.

O governador de São Pauloclaudicante e inábil em meio à guerra comercial deflagrada por Trump, perdeu cacife político entre direitistas moderados e se tornou alvo dos mais radicais, capitaneados pelo deputado brasileiro em solo americano.

O fato de Flávio e Jair Bolsonaro terem saído em defesa de Tarcísio indica que nem eles se dispõem a escudar um sonho presidencial de Eduardo —e sugere que o governador de São Paulo, afinal, pode ser o plano B nesse campo político, agora chamuscado pelo disparate antipatriótico.

Se estivessem prejudicando apenas a si mesmos, pouco haveria a acrescentar, mas é o país quem sofrerá as consequências econômicas de mais essa irresponsabilidade bolsonarista. O bordão "Brasil acima de tudo", logo se vê, não passa de demagogia barata a serviço de interesses exclusivamente pessoais.

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