Apesar das pressões de Eduardo, Gonet ignorou as ameaças
de Trump nas alegações finais do processo sobre trama golpista
A Procuradoria-Geral da República (PGR) entregou na
segunda-feira (14) as alegações
finais do processo em que acusa o ex-presidente Jair
Bolsonaro (PL)
e outros sete réus pela trama golpista de 2022-2023. Como seria de esperar, a
agressão comercial perpetrada por Donald Trump,
presidente dos Estados
Unidos, em nada influenciou o documento.
Assinada pelo procurador-geral, Paulo Gonet,
a peça mostra que o Brasil, uma nação soberana, democrática e dotada de Poderes
independentes entre si, não se curva às pretensões tirânicas de quem quer que
seja.
Ignorando a pressão representada pelo tarifaço de 50% sobre
as exportações brasileiras, Gonet manteve o tom contundente que marcou suas
demais manifestações nos mesmos autos. Com sobriedade, não se desviou um
milímetro da linha de raciocínio que já vinha sendo construída.
De acordo com ele, para além de testemunhos e delações
premiadas, um amplo conjunto probatório demonstra a conspiração contra as
instituições democráticas, caracterizando crimes como organização criminosa
armada, tentativa de abolição violenta do Estado democrático de Direito e golpe
de Estado, entre outros.
Claro que Gonet não usou suas conclusões como resposta à
estapafúrdia manobra que uniu Trump aos Bolsonaro, mas a assertividade da peça
processual evidencia a distância que existe entre a realidade factual e o mundo
delirante em que parecem viver o ex-presidente e sua família.
E, dentro do clã, tudo indica que ninguém é mais refém das
próprias ilusões do que Eduardo
Bolsonaro. Refugiado nos EUA, o deputado federal pelo PL-SP dedica-se a
elaborar tramoias contra o Brasil, na vã esperança de influenciar o julgamento
de seu pai no Supremo Tribunal Federal.
Não que o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) e o próprio ex-presidente deem sinais de entender
como funciona uma república moderna ou de aceitar suas regras, mas, pelo menos,
esboçaram um cálculo racional ao se posicionarem a favor de Tarcísio
de Freitas (Republicanos)
na pendenga com Eduardo.
O governador de São Paulo, claudicante
e inábil em meio à guerra comercial deflagrada por Trump, perdeu
cacife político entre direitistas moderados e se tornou alvo dos mais radicais,
capitaneados pelo deputado brasileiro em solo americano.
O fato de Flávio e Jair Bolsonaro terem saído
em defesa de Tarcísio indica que nem eles se dispõem a escudar um
sonho presidencial de Eduardo —e sugere que o governador de São Paulo, afinal,
pode ser o plano B nesse campo político, agora chamuscado pelo disparate
antipatriótico.
Se estivessem prejudicando apenas a si mesmos, pouco haveria
a acrescentar, mas é o país quem sofrerá as consequências econômicas de mais
essa irresponsabilidade bolsonarista. O bordão "Brasil acima de
tudo", logo se vê, não passa de demagogia barata a serviço de interesses
exclusivamente pessoais.

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