Bolsonaro passou a vida pregando ditadura e tortura
Jair
Bolsonaro deveria ter sido preso em 30 de março de 2023, no aeroporto,
ao voltar da Flórida, depois de assistir de camarote ao quebra-quebra
da Praça dos Três Poderes. Hoje estaria apodrecendo politicamente em alguma
penitenciária federal, mas o ex-presidente criminoso ficou solto por aí,
tolerado, conspirando.
Deu no que deu. Com golpista não se brinca. A democracia
agora é refém da parceria asquerosa e imoral com Donald Trump,
que anima golpistas pelo mundo afora.
O Brasil é um verdadeiro paraíso para os que tentam
subverter a ordem constitucional ou realizar manobras desonestas.
Do romântico golpe do baú ao intrigante golpe do "boa
noite, Cinderela", ainda se vê trama primitiva, ingênua e ilusionista
em malandros que atuam na praça da Sé. Tem golpista que finge
ser do PCC para extorquir moradores de Paraisópolis. Tem irmão que passa a
perna em irmão. Tem sócio que passa a perna em sócio.
Sob o olhar complacente de governantes e
juízes, sempre tem golpe na Previdência:
sai no jornal, nada acontece e os aposentados pagam a conta.
São 24 milhões de brasileiros vítimas do golpe do PIX ou do
boleto falso, informa
o Datafolha. Toca o celular, é golpe! Tem golpe bancário. Pirâmide. Tem o
golpe do influencer. Tem o golpe do cartão de crédito. Tem golpe cibernético:
phishing, vishing, smishing. Tem golpe no comércio eletrônico.
Craque de futebol dá golpe do cartão amarelo em site de
apostas, por uns trocados, porque enganar não tem consequência. Pastores usam
fé e ignorância para aplicar golpes em nome de Jesus.
Golpe legítimo, só no karatê e no judô. Mas nas lutas tem
golpe baixo também. Golpe de ar, diziam os antigos, é ruim para a saúde. Golpe
de misericórdia. Golpe de vista. Golpe de sorte. Golpe fatal.
O premiado "Golpe de Mestre", versão brasileira do
filme "The Sting" (1973, George Roy Hill), com Paul Newman e Robert
Redford, é inspiração literária para golpistas elegantes e simpáticos que
costumam se dar bem.
Na política e no uso da inteligência
artificial o golpe encontra espaço e facilidades. Liberdade de
exploração é liberdade de expressão.
Golpistas de direita criam fake news para
enganar, iludir o eleitor. Tem golpistas de meia tigela, como os integrantes de
grupo de ex-alunos de tradicional e caro colégio de São Paulo no WhatsApp
comemorando o tarifaço de Trump: "Está na hora de retomar essa bandeira.
Fora STF e
governo Lula".
O brasileiro está acostumado a golpes de Estado desde a
Proclamação da República. Getúlio Vargas deu golpe em 1937. As Forças Armadas
deram golpe em 1964. Outras tentativas de ruptura constitucional aconteceram em
1956 e 1959. Ninguém foi punido por isso.
Bolsonaro passou a vida fazendo "rachadinhas" e
pregando ditadura e tortura. Parlamentares bolsonaristas querem impor ao país a
agenda do golpe impune. Apostam na intimidação e na anistia.
Os estados mais populosos do Brasil têm governadores
golpistas, silenciosos ou disfarçados, não importa. Tem golpista no Supremo
Tribunal Federal. Tem golpista na OAB. Tem golpista no CRM e nos convênios
médicos. Tem golpista vendendo remédio. Tem golpista nas igrejas, nos quartéis
e na internet. Tem golpista no campo e nas cidades. Tem golpista demais.

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