Mino Carta, jornalista e fundador da Carta Capital, morre
aos 91 anos em SP
Diretor de redação da revista faleceu nesta terça (2) no
Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista. Segundo a revista, ele 'lutava
contra problemas de saúde'.
O fundador e diretor de redação da revista Carta Capital, o
jornalista Mino Carta, morreu nesta terça-feira (2) em São Paulo. Segundo a
publicação, ele tinha 91 anos e "lutava contra os problemas de saúde, em
idas-e-vindas do hospital".
Mino Carta faleceu no Hospital Sírio-Libanês, onde nas duas
últimas semanas esteve internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Segundo
amigos do jornalista disseram à GloboNews, o velório começará às 12h desta
terça no Cemitério São Paulo, em Pinheiros, Zona Oeste da capital.
A morte de Mino Carta foi confirmada às 5h59 pela revista
que ele criou. A Carta Capital informou no seu site oficial e em suas redes
sociais que a trajetória de seu fundador se confunde com a história do
jornalismo brasileiro.
Nascido em Gênova, na Itália, o jornalista criou e dirigiu
algumas das revistas mais influentes do país, como Quatro Rodas, lançada em
1960, Veja (1968), Isto É (1976) e Carta Capital (1994).
Também esteve à frente do Jornal da Tarde, criado em 1966,
considerado revolucionário pela linguagem e diagramação.
A publicação lembra que até mesmo o maior fracasso de Mino,
o Jornal da República, de 1979, em meio à abertura política, é visto como marco
da imprensa nacional. Ao longo da carreira, enfrentou embates com a ditadura
militar, especialmente quando a Veja publicou denúncias de tortura, o que
resultou em censura e pressões.
Em entrevistas recentes, Mino demonstrava desencanto com a
política brasileira e criticava os impactos da tecnologia sobre o jornalismo,
afirmando que a imprensa estava “escravizada pelas novas mídias”.
De acordo com a Carta Capital, o jornalista dizia que sua
maior realização foi a própria revista que fundou em 1994, construída sobre
três pilares: fidelidade aos fatos, espírito crítico e fiscalização do poder. A
publicação completou 31 anos em 2025.
Além da carreira editorial, Mino se dedicou à literatura, com romances como Castelo de Âmbar (2000), A Sombra do Silêncio (2003) e A Vida de Mat (2016), que misturam memórias pessoais e reflexões filosóficas.
Amizade com o presidente Lula
Ao criar a revista Isto É, o jornalista estreitou as
relações com o então metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao publicar a
primeira grande entrevista com o líder sindical em 1978. Na época, Lula
presidia o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo, no ABC
Paulista.
Desde então, Mino Carta e Lula nutriram uma relação de profunda amizade. O último encontro público deles aconteceu em São Paulo, em junho do ano passado, e foi registrado pela assessoria de imprensa da Presidência da República (veja foto abaixo).
Por meio de nota, Lula se disse muito triste com a morte do
amigo e relembrou a relação de mais de 50 anos entre os dois. O presidente
brasileiro afirmou que "Mino foi – e sempre será – uma referência para o
jornalismo brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um
país justo e igualitário para todos os brasileiros e brasileiras".
"Recebi com muita tristeza a notícia da morte de meu
amigo Mino Carta, ocorrida na madrugada deste 2 de setembro. Ele fez história
no jornalismo brasileiro: criou e dirigiu algumas de nossas principais revistas
(Veja, Isto é, Quatro Rodas, Carta Capital, Jornal da Tarde, Jornal da
República) e formou gerações de profissionais e, sobretudo, mostrou que a
imprensa livre e a democracia andam de mãos dadas. Em meio ao autoritarismo do
regime militar, as publicações que dirigia denunciavam o abuso dos poderosos e
traziam a voz daqueles que clamavam pela liberdade", escreveu o
presidente.
"Conheci Mino há quase cinquenta anos, quando ele, pela
primeira vez, deu destaque nas revistas semanais para as lutas que nós,
trabalhadores reunidos no movimento sindical, estávamos fazendo por melhores
condições de vida, por justiça social e democracia. Foi ele quem abriu espaço
para minha primeira capa de revista, na Istoé, em 1978. Desde então, nossas
trajetórias seguiram se cruzando. Eu, como liderança política, ele, como um
jornalista que, sem abdicar de sua independência, soube registrar as mudanças
do Brasil. Vivemos juntos a redemocratização, as Diretas Já, as eleições
presidenciais e as grandes transformações sociais das últimas décadas",
declarou o petista.
E emendou: "Estas décadas de convivência me dão a
certeza de que Mino foi – e sempre será – uma referência para o jornalismo
brasileiro por sua coragem, espírito crítico e compromisso com um país justo e
igualitário para todos os brasileiros e brasileiras. Se hoje vivemos em uma
democracia sólida, se hoje nossas instituições conseguem vencer as ameaças
autoritárias, muito disso se deve ao trabalho deste verdadeiro humanista, das
publicações que dirigiu e dos profissionais que ele formou. À sua filha Manuela
e a todos os seus familiares e os inúmeros amigos que construiu ao longo de sua
vida, deixo um forte e carinhoso abraço".
O Palácio do Planalto anunciou que Lula deve vir a São Paulo
nesta terça-feira (2) para o velório e as despedidas finais à Mino Carta.
Outras repercussões
O vice-presidente Geraldo
Alckmin (PSB)
também publicou uma mensagem nas redes sociais lamentando o falecimento do
jornalista.
"O Brasil perdeu hoje um de seus maiores jornalistas.
Mino Carta dedicou toda sua vida à criação e ao desenvolvimento de publicações
que fizeram história na imprensa brasileira, dando voz à defesa dos valores
democráticos. Que seu exemplo siga inspirando as novas gerações de
jornalistas", disse Alckmin na rede social X.



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