Deputado afirma que se encontrará com Lula nos próximos
dias e considerou ‘normal’ as vaias que ouviu no Rio
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB),,
contou que tem falado com o presidente Lula que
é preciso dar uma “atualizada” na relação entre Executivo e a Câmara dos
Deputados. “Devo ter, nos próximos dias, uma conversa pessoal com o
presidente”, afirmou. Sobre as vaias que ouviu no Rio, considerou normal, mas
discorda de Lula ao classificar o Congresso atual como de “baixo nível”. Motta
também afirmou que a função de deputado é incompatível com morar fora do país,
em referência a Eduardo
Bolsonaro. Reconhece que “tramaram” contra a democracia, mas alivia para o
ex-presidente Jair
Bolsonaro. Eu o entrevistei ontem na GloboNews.
— O presidente quando se dirigiu a essa questão do
Congresso, penso que ele quis fazer uma crítica mais à extrema direita. Se o
presidente tiver falado se referindo ao Congresso, o que eu não acredito, quero
dizer que discordo plenamente. Esse foi o Congresso que aprovou quase tudo o
que o governo mandou, principalmente na pauta econômica — afirmou o deputado,
em resposta à fala de Lula de que o Congresso nunca teve tão “baixo
nível".
Motta veio ao Rio a convite do presidente
porque a Câmara acabou de aprovar várias medidas de interesse da
educação. Sobre
as vaias, ele disse que encara isso “com muita tranquilidade de quem
tem a certeza que tem procurado, nesse mar revolto, manter o barco navegando e
atravessando a tempestade”.
Sobre as exonerações de indicados do Centrão, que o governo
tem feito nos últimos dias, Hugo Motta disse que entende como um gesto para
“repactuar” a relação com esses partidos. Para que o gesto seja eficiente, tem
que “na remontagem” trazer para perto do governo parlamentares que tenham
condições de ajudar, explica.
Motta reclamou da demora na liberação das emendas, pelo fato
de a execução orçamentária estar atrasada. Disse que os prefeitos do interior
da Paraíba não param de ligar. “Se acontece comigo que sou presidente, com
certeza acontece com a maioria dos parlamentares”. Ele admite que parte do que
tem acontecido, como a derrubada
da MP que aumentava os impostos cobrados das bets e fintechs, é a
antecipação do calendário eleitoral. “Tenho muita preocupação quando a gente
envolve aquilo que é essencial, com aquilo que é apenas política eleitoral”.
A maior derrota recente da Câmara foi a PEC da Blindagem.
Aprovada na Casa, provocou manifestação de repúdio e foi engavetada pelo
Senado. Perguntei se havia se arrependido:
— De maneira alguma. Penso que nós votamos aquilo que seria
importante para fortalecer as prerrogativas dos parlamentares. Nós retomamos o
texto constitucional, e ninguém colocou ali nenhum absurdo. Temos visto
constantemente deputados que respondem por crime de opinião.
Quis saber quais deputados respondem por “crime de opinião”,
já que há processos por outros motivos, mas não pelo simples fato de
manifestarem um pensamento. Ele disse que tem mais de 30. Não disse quais. E
atribuiu isso, que supostamente acontece, ao clima de polarização no país.
Perguntei sobre Eduardo Bolsonaro estar nos EUA, não
exercendo seu mandato, gerando custos para os cofres públicos, e o PL querendo
ampliar o período de licença dele.
— É incompatível o exercício de mandato sem a presença no
país. É constitucional, é regimental. O exercício do mandato parlamentar tem
que se dar de maneira física, presente. A situação do deputado Bolsonaro está
caminhando com as faltas que ele está levando e nós daremos a ele o tratamento
regimental.
Motta havia dito, em
fevereiro, que o 8 de janeiro não foi uma tentativa de golpe. Perguntei se
mudou de ideia, diante do julgamento do STF. Ele alega que o ato é grave, foi
um ataque às instituições, mas nem todos os envolvidos estavam conscientes do
que acontecia. Admitiu que no núcleo central há pessoas que realmente
participaram de tudo. No entanto, considera que é preciso uma diferença de
tratamento.
— Para que não venhamos a aliviar para quem merece uma pena
realmente séria porque tramou, planejou, financiou.
Nesse grupo, Motta não inclui Jair Bolsonaro, justificando
que o ex-presidente estava no exterior. “Não tem como você dar um golpe de
Estado em outro país. Como pergunta final, quis saber de que lado estará se, em
2026, estiverem se enfrentando Lula e o governador Tarcísio de Freitas, que é
do Republicanos como ele. Respondeu que como presidente da Câmara não é
“salutar” que se posicione agora.

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