Taxa de crescimento do PIB pode cair para 1,80% ao ano,
em 2026 e 2027
Uma economia nacional abrange várias dimensões, como o seu
Produto Interno Bruto (PIB), sua inflação, suas diversidades regionais e
setoriais e outras, mas vou focar aqui principalmente no PIB, a mais
importante.
Segundo o boletim Focus do Banco Central (BC), que recorre a
previsões de analistas e operadores do mercado financeiro, na edição de 26 de
dezembro, a previsão é de uma taxa de 2,26% para o PIB de 2025. Como a economia
vinha crescendo a taxas próximas de 3,0%, iniciou-se a fase descendente de mais
um ciclo econômico, ou de um voo de galinha.
A previsão desse mesmo boletim Focus é de
um crescimento do PIB de 1,80% em 2026, se repetindo em 2027 e chegando a 2,0%
em 2028, indicando que a fase baixa do voo da galinha se prolongaria por muito
tempo. Ponho no condicional porque nesse longo tempo muita coisa pode
acontecer, para o bem ou para o mal.
O que explicaria essa queda do crescimento do PIB? O governo
Lula continuou sua tradição político-fiscal expansionista de gastos, gerou
inflação e o BC recorreu a fortes aumentos da taxa Selic, trazendo-a para
absurdos 15% ao ano, o que prejudicou o crescimento econômico já modesto que o
País mostrava. Lula sempre se contentou com 3% para o PIB, taxa que alardeia
como muito boa, mas queda foi um dos ingredientes que levou o País a perder sua
posição de 10.ª economia mundial, passando à 11.ª. Ou seja, há países crescendo
mais, mesmo no nosso grupo daqueles em desenvolvimento, que aqui é muito fraco.
Por que o Brasil não cresce bem mais? Essa é uma questão que
infelizmente não é respondida pelos nossos políticos que estão aí. Nosso
presidente só tem uma coisa na cabeça, o que pode reelegê-lo e atua nessa
direção, gastando o que pode e o que não pode para atrair eleitores. O
Congresso segue direcionado por seus interesses pessoais, como os altos gastos
com emendas parlamentares e a defesa de interesses de grupos.
Como já ressaltei em artigos anteriores, seria preciso
entender que um país se desenvolve mais se investir mais. Em outras palavras, o
que faz uma economia crescer mais é a sua taxa de investimento, aquela parte de
seu PIB que é destinada a ampliar investimentos em formação de capital, como
aumentando empreendimentos existentes ou gerando novos, a exemplo de estradas,
portos, aeroportos, fábricas, fazendas, estabelecimentos comerciais, escolas,
hospitais e outros. Essa taxa de investimento caiu de 18,3% do PIB para 17,3%
do PIB entre o primeiro trimestre de 2022 e o mesmo período de 2023 e em
qualquer caso deveria estar muito mais próxima de 25% do PIB, que seria
necessário manter, sem oscilações negativas, para uma expansão mais sustentável
do PIB a taxas mais satisfatórias e permanentes em termos de crescimento.
Ainda quanto à taxa de investimento, insisto que há uma
questão estrutural. O setor público, após 1980, reduziu muito a sua própria
taxa, que já alcançou perto de 10% do PIB e hoje está perto de apenas 2%, tendo
ampliado muito os tais gastos sociais que levam principalmente a aumento do
consumo e não da estrutura produtiva. O setor privado até que aumentou a sua
taxa de investimento, que passou de 10% no início dos anos 1960 para 15% no
princípio da década de 1980 e por aí ficando até hoje, provavelmente também
desestimulado pela queda da taxa de investimento público relativamente ao PIB.
Voltando à questão do baixo crescimento, também repetindo
minhas pregações anteriores, o Brasil vai demorar para sair dele, e duvido que
isso aconteça no horizonte de vida que posso contemplar. Gostaria de estar
errado. Não há conscientização nem da sociedade nem dos Poderes Executivo e
Legislativo quanto ao assunto, dominados, como já dito, por outros interesses.
Um candidato a presidente disse que sua prioridade será o
crescimento econômico, mas é preciso ir além, perguntando-lhe como pretende
fazer isso. Espero que o período eleitoral seja aproveitado para buscar
respostas a indagações como essa, o que, aliás, pretendo fazer. Lula, o
candidato favorito, é mestre em responder com generalidades a perguntas como
essa, mas agora estará diante de uma questão mais objetiva: como deixou que em
seu governo o crescimento caísse de 3% para 2% ao seu final?
O certo é que em 2027 o Brasil precisa de um presidente
disposto, primeiro, a colocar a casa em ordem na questão fiscal antes de se
preocupar com a eleição de 2030. Seu sucesso lhe garantiria uma posição de
honra na história nacional. Mas Lula, até aqui o favorito neste ano, mais
provavelmente irá se preocupar em criar um sucessor petista na eleição de 2030,
beneficiando-o com medidas populistas. Assim, o mais provável é que a “festa”
vá continuar e o País siga dando os seus passinhos na esfera do crescimento.
Assim, olhando à frente, assunto é o que não vai faltar para
este articulista escrever neste espaço. E como ontem foi 1.º de janeiro,
aproveito para desejar a todos os leitores um feliz ano-novo.

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