Lula é favorito, sim, mas eleição está indefinida e ele
aposta em gastar
O prestigiado jornal Financial Times, inglês, acertou ao
elencar as atuais pesquisas, os bons resultados econômicos, o sucesso da
negociação do presidente Lula com Donald Trump e a desordem da direita como
indicadores objetivos a favor da candidatura de Lula. Errou, porém, ao apostar
na vitória com tanta antecedência.
Assim como a política não é moral nem ética, eleições não
são objetivas, não seguem a lógica matemática e dependem de fatos novos,
escândalos, intempéries, deslizes, sobressaltos na economia. Ninguém poderia
imaginar, por exemplo, que Fernando Henrique fosse catapultado pelo Plano Real,
Rodrigo Janot e JBS caíssem na cabeça de Temer e um acidente aéreo matasse
Eduardo Campos.
Sim, as pesquisas, a falta de opção na
esquerda, os erros e disputas na direita e as condições de hoje tornam Lula o
grande favorito de outubro, mas é preciso combinar com os russos e com sua
excelência, os fatos, além de avaliar com cautela o estado de saúde de
Bolsonaro, a ramificação dos escândalos, principalmente do Banco Master, e até
eventuais novas revelações sobre ministros-chave do Supremo.
O ano de 2025 começou com Fernando Haddad nas alturas e Lula
fora do jogo, mas evoluiu para Haddad despencando e Lula chegando a dezembro
como candidato único da esquerda. O de 2026 chega com Flávio sob holofotes,
Tarcísio de Freitas restrito a São Paulo e Lula reeleito. Mas essa é a foto de
hoje, não o filme do ano.
Ao vetar um reajuste de R$ 160 milhões para o Fundo
Partidário, já no primeiro dia de 2026, Lula não estava preocupado com
economia, apenas com um cálculo eleitoral. Ele não declarou guerra ao
Congresso, porque a guerra já é escancarada, e ele não vai queimar popularidade
com o bolsonarismo, carimbado por Eduardos, Zambellis e Ramagens, a esquerda,
de uma fragilidade de dar dó, e o Centrão, insaciável. Logo, fez o melhor para
ele: agradar à sociedade.
O ano começa sob chuvas, trovoadas e incertezas, com bons dados de crescimento, inflação e emprego, mas crise fiscal, que pressiona os juros e ameaça pôr tudo a perder. Lula gosta de gastar, o governo gasta mais do que deve e a conta vai chegar – sem Haddad para segurar o tranco.
Entre um responsável equilíbrio de receitas e despesas e a irresponsável gastança para a compra de votos no atacado, Lula não deixa dúvidas: a reeleição é sua prioridade número um. Depois se dá um jeito na crise fiscal, com teto, arcabouço, qualquer mágica. É arriscado, porque, assim como atrai, também espanta votos. A eleição está indefinida.


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