A posição diplomática do Brasil é ideológica, com viés
esquerdista de antiamericanismo, mas não tem sentido na vida real para o país
A política externa brasileira, no afã de mostrar-se
independente dos Estados Unidos num anti-imperialismo infantiloide, se une a
países como o Irã, que financia o terrorismo internacional, e se coloca em
situações embaraçosas. Exemplo de como ser um vice-presidente leal é tarefa
delicada, Geraldo Alckmin já ouviu em posição de sentido a Internacional
Socialista no aniversário do PSB e apareceu numa foto ao lado de líderes de
milícias que integram o autoproclamado “eixo da resistência”, aliança informal liderada
pelo Irã. Na cerimônia de posse do presidente iraniano em 2024, em que
representou o governo brasileiro, Alckmin ficou ao lado de representantes dos
grupos terroristas Houthi, Jihad Islâmica, Hezbollah e Hamas, todos financiados
pelo Irã.
A proximidade com o governo do Irã fez com
que, em 2010, o governo Lula tentasse ser o mediador de um acordo sobre o
programa nuclear iraniano em companhia da Turquia, depois rejeitado pelo
governo do então presidente Barack Obama. O Brasil assumiu um risco diplomático
desnecessário ao mediar o acordo, desprezado pelas potências ocidentais. Nossa
posição de simpatizante do governo iraniano ficou marcada por esse fracasso
diplomático e afastou politicamente o Brasil de seus aliados tradicionais no
Ocidente. O consenso entre críticos era que a Declaração de Teerã não oferecia
garantias sólidas e servia para postergar sanções contra o Irã, sem resolver a
questão do enriquecimento de urânio.
Quando, algum tempo depois, os Estados Unidos acertaram um
acordo nuclear com o Irã, o governo brasileiro tentou vender a narrativa de que
havia sido traído por Obama, pois o acordo americano era semelhante ao proposto
por Brasil e Turquia. Havia, no entanto, uma questão crucial: o acordo
brasileiro permitia que o Irã continuasse a enriquecer urânio durante um
“período de transição”, enquanto o americano proibia imediatamente.
Provavelmente, esse foi um dos pontos de discórdia na tentativa de acordo antes
dos ataques de Israel e Estados Unidos. O Irã não abre mão de seu programa
nuclear, afirmando que ele tem finalidade pacífica. Mas a sistemática
supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) sempre foi
dificultada.
O Brasil ter abandonado a neutralidade no episódio foi um
erro não apenas diplomático, mas político, pois ficou marcado como governo de
esquerda que não critica a ação terrorista do Irã. O Brasil tem seu próprio
programa nuclear, faz enriquecimento de urânio, mas o abandonou para fins
militares há muito tempo, ao assinar, no governo Fernando Henrique Cardoso, o
Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares.
No caso atual, o país não deveria ter posição tão
radicalmente contra os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, justamente
pela posição iraniana de fomentar ataques terroristas pelo mundo por meio de
milícias; seria bom que tivesse tido a cautela que os europeus tiveram. É claro
que um ataque de um país a outro não pode ser normalizado, mas, tratando-se do
Irã, há uma situação delicada diplomaticamente, que deveria ser ultrapassada no
mínimo pela neutralidade.
Ao contrário, a posição diplomática do Brasil é ideológica,
com viés esquerdista de antiamericanismo, mas não tem sentido na vida real para
o país, ainda mais agora, momento em que ainda negociamos o tarifaço de Donald
Trump. Nesse episódio, o governo brasileiro atua com bastante eficiência e
cautela, sem abrir mão dos princípios do livre-comércio. Mas a proximidade com
o governo do Irã não corresponde aos interesses brasileiros, enquanto com os
Estados Unidos, apesar de toda a insanidade do governo Trump, ainda é
fundamental para a economia brasileira.

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