A cúpula Xi Jinping-Vladimir Putin e os últimos movimentos
de Donald Trump em relação ao Irã e a Cuba ampliaram os ganhos estratégicos da
China em sua disputa por hegemonia com os EUA.
O presidente americano se vê obrigado a ceder discretamente
nas negociações com o Irã, conforme se intensificam as pressões econômicas e
políticas decorrentes do choque de energia causado pelo fechamento do Estreito
de Ormuz. A manutenção de um programa nuclear pacífico iraniano agora está
sobre a mesa de negociações.
Para compensar a visível derrota, Trump volta a pressionar
Cuba, cuja mudança de regime ele vê como um fruto ao alcance da mão – o que
Binyamin Netanyahu o fez acreditar sobre o Irã.
O diretor da CIA, John Ratcliffe, reuniu-se em Havana no dia
14 com o coronel Raúl Guillermo Rodríguez Castro, neto de Raúl Castro e
responsável pela segurança do veterano líder revolucionário, com o ministro do
Interior, Lázaro Álvarez Casas, e o diretor da inteligência cubana, Ramón
Romero Curbelo.
A missão de Ratcliffe era convencê-los a
abandonar o socialismo e a condição de plataforma de espionagem de China e
Rússia. Três dias depois, o site Axios revelou, com base em inteligência
americana, que Cuba desde 2023 adquiriu mais de 300 drones iranianos e russos
para empregar contra alvos americanos.
Trump passou então a apostar na intervenção de forças
especiais, sob o pretexto de capturar os denunciados pela Justiça da Flórida na
derrubada de duas avionetas civis tripuladas por americanos em 1996: Raúl
Castro, de 94 anos, e cinco ex-pilotos e militares cubanos.
A expectativa dos americanos é que sirva de incentivo para
um racha no regime, levando ao poder militares pragmáticos dispostos a aceitar
as condições dos EUA, como fizeram os venezuelanos.
As energias da projeção de poder americano estão sendo
dispersas por caprichos político-ideológicos de Trump. Para castigar Friedrich
Merz, para quem o Irã está “humilhando” os EUA, Trump ordenou a retirada de 5
mil dos 36 mil soldados americanos da Alemanha.
Quando o secretário da Defesa Pete Hegseth suspendeu o envio
de 5 mil soldados para a Polônia, Trump o mandou rever a decisão, para premiar
o presidente polonês, Karol Nawrocki, que segue a corrente conservadora,
anti-europeia e antiimigração liderada pelo presidente americano. Não é um bom
critério de alocação de forças militares.
Enquanto isso, Xi dispensava a Putin o mesmo tratamento que
havia dado a Trump uma semana antes: ouviu os pleitos, mas não atendeu a
maioria deles. O líder chinês demonstrou que não depende nem da energia russa
nem dos chips americanos.

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