Flávio Bolsonaro sobe no salto e canta vitória a cinco
meses da eleição
Empolgado com vitórias no Congresso, senador se antecipa
às urnas e decreta fim do governo Lula
O bolsonarismo viveu a melhor semana desde a derrota do
capitão nas urnas. Na noite de quarta, o Senado quebrou tradição de 132 anos e
rejeitou uma indicação ao Supremo Tribunal Federal. Menos de 24 horas depois, o
Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto que reduz as penas dos golpistas.
Empolgado com os resultados, o senador Flávio Bolsonaro
cantou vitória antecipada nas eleições de outubro. “O governo Lula acabou”,
decretou, após a reprovação de Jorge Messias. Ontem ele avisou que já tem
“vários nomes” para indicar ao Supremo. Estimulado a decliná-los, disse: “Não
vou antecipar isso, não sou presidente ainda”.
Pesquisas recentes apontam um empate
técnico entre Lula e Flávio nas simulações de segundo turno. Os dois também
ostentam índices de rejeição quase idênticos, o que sugere uma disputa
equilibrada e com desfecho imprevisível. Ao subir no salto, o filho de
Bolsonaro passa a impressão de que já se considera eleito. A soberba pode
cobrar um preço alto à sua campanha.
Em declarações sopradas por marqueteiros, Flávio vinha se
apresentando como um “Bolsonaro vacinado”, que não teria herdado o extremismo
do pai. Ontem ele escancarou que o famigerado PL da Dosimetria foi apenas um
passo para garantir impunidade aos golpistas. A meta é emplacar uma anistia que
tire Jair da prisão até o fim do ano, “para que ele possa subir a rampa
comigo”.
O senador também saiu do script ao ser provocado pela
deputada Talíria Petrone, que citou seus laços com o miliciano Adriano da
Nóbrega. Disse que o ex-PM, segurança de bicheiros e matador de aluguel, era
visto como “grande exemplo para sua tropa”. Deixou de mencionar que ele já
estava preso por homicídio, o que levou Flávio a entregar a condecoração na
cadeia.
Depois de pular e dançar no plenário e receber um caloroso
abraço de Davi Alcolumbre, o presidenciável voltou ontem à prisão. Foi visitar
o pai no cárcere domiciliar em Brasília. Na saída, informou que Jair está
“muito feliz” com as notícias do Congresso.

Nenhum comentário:
Postar um comentário