Trump repete Mussolini, intervém na Fifa e ataca juiz
brasileiro em meio à tensão Brasil-EUA
A interferência de Donald Trump na submissa Fifa, para
anular a expulsão de um jogador norte-americano e jogar suspeitas sobre um juiz
brasileiro, é um escândalo internacional, que confirma a velha prepotência dos
EUA, potencializada por Trump, e ocorre num momento de tensões e decisões
nevrálgicas entre Brasil e EUA.
A ação de Trump e a suspeita sobre o árbitro Raphael Claus
jogam uma pitada de pimenta no que já está ardido. Nesta segunda-feira, começou
em Washington a audiência pública em que representantes brasileiros apresentam
argumentos e dados concretos contra novas sanções comerciais.
No mesmo dia, veio a público um documento
do chanceler Mauro Vieira admitindo, duas vezes, o risco de Trump usar força
militar em território brasileiro, no rastro da classificação de PCC e CV como
terroristas.
Ao telefonar para o presidente da Fifa, Gianni Infantino,
Trump não sugeriu, mas exigiu a anulação do cartão vermelho para Folarin
Balogun e a participação dele no jogo dos EUA contra a Bélgica. E atacou Claus.
Sem entender patavina de futebol, Trump justificou, ao
admitir o telefonema para a Fifa: “Eu vi o lance, e sou uma pessoa que ama
esportes... Aquilo não foi uma falta. Nem mesmo uma infração. Esse árbitro é um
pouco suspeito...”
Ou seja, o presidente dos EUA não se satisfaz em ver o jogo,
achar isso ou aquilo e xingar o árbitro, como qualquer torcedor, mas usa o seu
cargo e o fato de ser anfitrião para algo inédito: decretar que não aceita a
expulsão e que Balogun vai jogar, sim.
Ele não considerou uma hipótese: e se os EUA vencessem a
Bélgica com gol de Balogun? E se levassem a taça? Trump poderia até comemorar,
mas o mundo aceitaria calado?
O episódio remete à Copa de 1934 na Itália, quando o ditador
Mussolini escolheu jogadores e influenciou resultados para não só dar a vitória
ao seu país, como usar essa vitória para uma fenomenal propaganda fascista.
Afora a vassalagem vergonhosa de Infantino e da própria
Fifa, a ação de Trump confirma o que o mundo todo sabe – e teme. Ele não tem
escrúpulos, limites e se sente imperador do mundo.
Logo, é capaz de tudo e é com ele que o governo e o setor
privado brasileiros têm de negociar para evitar as novas tarifas inventadas por
Trump, por influência direta de Flávio Bolsonaro, que participa da audiência
pública de Washington nesta terça-feira, tentando consertar seu imenso erro.
Ele foi se meter onde e com quem não deveria, e tenta
desfazer o mal que tentou fazer ao Brasil e acabou fazendo à sua própria
candidatura. Imaginem agora, com a intervenção na Fifa e o ataque ao juiz
brasileiro...

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