Edson Fachin marcou para 19 de agosto a retomada do
julgamento sobre como será – seria – a eleição para mandato-tampão de
governador no Rio de Janeiro. Seria; porque não será. Palhaçada teatral
destinada a cumprir, como se sob rito legal, o que foi decisão autoritária
tomada no instante em que Cláudio Castro renunciou ao Guanabara, em março.
Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E todo mundo sabe
disso.
Haverá eleição suplementar nenhuma,
qualquer que seja a decisão do Supremo, porque, àquela altura, a deflagração de
pleito extra treparia no processo eleitoral regular, cuja votação será em 4 de
outubro. Não haveria tempo. Sobraria insegurança jurídica. Escassezes de tempo
e de segurança jurídica forjadas pela maneira como Flávio Dino geriu um pedido
de vista feito em 9 de abril.
Ao pedir vista, o placar marcava 4 a 1 pela eleição
indireta, na Alerj, condição em que Douglas Ruas, deputado estadual e
pré-candidato ao governo pelo PL, venceria – e governaria o Estado eleição
ordinária de outubro adentro. O STF não queria. Dino pediu vista.
Naquela ocasião, prometeu que devolveria a matéria à
deliberação quando da publicação do acórdão, pelo TSE, relativo ao julgamento
que condenara Castro à inelegibilidade. O acórdão foi divulgado em 23 de abril,
ocasião em que disse que esperaria pela apreciação dos recursos, cujo produto
teve publicação em 16 de junho. O ministro devolveu a vista em 30 de junho,
véspera do recesso do Judiciário.
Haverá eleição suplementar nenhuma, direta ou indireta. E
todo mundo sabe disso. O STF não quer. Tampouco quer – e todo mundo sabe disso
– que o presidente da Alerj assuma a cadeira de governador que lhe caberia,
considerada a linha sucessória estadual. Não permitirá que Douglas Ruas, olha
ele aí de novo, da turma que sustentava Castro, governe e se cacife como
adversário competitivo de Eduardo Paes. O STF quer mudança. Porque – você sabe
– o eleitor fluminense vota mal...
O Rio está sob intervenção do Supremo. Escrevo a respeito
pela terceira vez neste jornal. Não é algo popular de se dizer, porque a
interposição do Judiciário alijou do poder, no ano eleitoral, o grupo político
bolsonarista, o mesmo de Ruas, que pilhara o Estado nos últimos anos e sobre o
qual o cronista só tem certezas. A população desprezava Castro e seus bacelares
– e ora celebra a moralização tocada por um juiz salvador da pátria.
Intervenção, portanto, virtuosa; ao que se somará, como
cartaz, o trabalho de saneamento promovido pelo
governador-desembargador-interventor Ricardo Couto, presidente do TJ. Um herói,
cujo período artificialmente alongado de heroísmo planta vários precedentes.
(Como se sabe, os precedentes só viram problema quando usados contra os
nossos.)
Para que fique claro: o STF determinou que Couto passará a
faixa (tudo o mais constante) a Paes, em janeiro. Até lá, encene esse teatro
quem quiser.

Nenhum comentário:
Postar um comentário