Se Jair Bolsonaro está com Flávio, problema dele;
Michelle tem projeto, é ‘imparável’ e boa de briga
A dois meses e meio das eleições, impressiona a todos, e
deixa a direita arrepiada, o racha profundo no coração do bolsonarismo, com
lances de baixo nível
O único motivo da carta manuscrita e pública de Jair
Bolsonaro foi desautorizar sua mulher, Michelle, e tomar partido do filho 01,
Flávio, a quem chamou de “meu candidato e meu porta-voz”. Após semanas de
dúvidas, o ex-presidente foi claro: está com Flávio, contra Michelle.
Imagine-se o ambiente numa casa em que o patriarca está
doente, preso, de tornozeleira, e sua mulher rompeu com seus filhos e declarou
independência política. E mais: uma casa que, durante 90 dias, vai ficar de
portas fechadas para o primogênito, por decisão de Alexandre de Moraes, do STF.
Afora as questões pessoais e familiares, o
que de fato interessa são os efeitos políticos. A dois meses e meio das
eleições, impressiona todos, e deixa a direita arrepiada, o racha profundo no
coração do bolsonarismo, com lances de baixo nível.
Após o vídeo em que se diz maltratada, desrespeitada,
humilhada e “tratada como idiota” por Flávio, o que já foi um míssil contra a
candidatura dele, Michelle mostra, com palavras e atos, que não ficou nisso.
Com script pronto, que libera aos poucos, ela reúne mais munição e não tem
limites nessa guerra.
Dos States, o 03, Eduardo Bolsonaro, e o blogueiro Paulo
Figueiredo dividem suas energias entre jogar Trump contra o Brasil e empurrar
as mulheres contra Flávio. O que esperavam atacando Michelle e suas aliadas
pelas redes sociais? Votos femininos?
Depois de Michelle renunciar à presidência do PL Mulher, a
senadora Damares Alves (DF), sua grande amiga e aliada, cai fora da campanha e
da equipe sobre direitos humanos e assistência social do programa de governo de
Flávio. Ela disse que continua com Flávio, mas deixou escapar um “ainda”.
Ainda?
Michelle e Damares estão unidas no grupo “Imparáveis”, um
novo viés bolsonarista, que mantém o sobrenome mágico, mas sem a confusão dos
filhos e a fragilidade política das ex-mulheres do ex-presidente.
Rogéria Bolsonaro, mãe do 01, 02 e 03, perdeu uma eleição
para vereadora, depois se lançou à Assembleia Legislativa e desistiu e agora
compõe a polêmica chapa majoritária do PL no Rio, como suplente de senador.
Ana Cristina Vale, mãe do vereador Jair Renan, o 04, perdeu
três eleições, inclusive em 2022, quando assumiu o nome “Cristina Bolsonaro” e
comprou uma bela mansão no bairro mais rico de Brasília, para ter domicílio
eleitoral no DF.
Se Rogéria e Ana Cristina não foram longe na política,
Michelle se declara “imparável”, é boa de briga e traz para a direita uma velha
bandeira da esquerda, contra misoginia e machismo. Além de reacender a
pergunta: se Bolsonaro era “outsider” e crítico da política, por que a família
inteira disputa mandato?

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