Coach subiu no picadeiro para ajudar Flávio Bolsonaro e
promover seus próprios negócios; registro deve ser negado pelo TSE
A nova aventura de Pablo Marçal está com os dias contados.
Inelegível até 2032, o coach registrou a candidatura a presidente nos últimos
minutos do prazo. Conseguiu tumultuar a disputa, mas deve ser barrado pelo TSE.
Com milhões de seguidores nas redes sociais, Marçal tem a
receita para bagunçar o coreto. Em seis dias de campanha, berrou palavrões,
insultou jornalistas e chorou num podcast.
Ele reapareceu a bordo de um factoide: declarou R$ 7 bilhões
em patrimônio. Depois de ganhar as manchetes, alegou erro ao preencher um
formulário. Quem o conhece identificou mais uma pegadinha para causar polêmica
e reforçar a imagem de novo rico.
Marçal já deixou claro que a candidatura é
uma farsa. Ele subiu no picadeiro para promover seus negócios e ajudar Flávio
Bolsonaro, beneficiário dos ataques a Lula e Renan Santos.
Para o Ministério Público, a chapa foi arquitetada sobre
duas fraudes. Além de estar com os direitos políticos suspensos, o coach forjou
uma filiação ao PRTB com data retroativa. Bons tempos em que a sigla só era
notada pela figura exótica de Levy Fidelix, o bigodudo do aerotrem.
Ontem o TSE proibiu Marçal de usar recursos públicos e
participar de debates. A decisão unânime indica que a candidatura de mentirinha
já subiu no telhado. Mesmo assim, ele ainda pode ter duas ou três semanas para
encenar a farsa e pedir doações a incautos.
O candidato-coach é produto de uma era em que a política se
confunde cada vez mais com o entretenimento. Suas presepadas geram engajamento
e votos, como se viu na última eleição para a Prefeitura de São Paulo.
A seu modo, Marçal deve repetir
a passagem-relâmpago de Silvio Santos pela corrida presidencial de
1989. O homem do baú entrou na disputa a 15 dias do primeiro turno. Chegou a
ameaçar o favoritismo de Fernando Collor, mas foi barrado pelo TSE por
irregularidades no registro partidário.
As semelhanças terminam no lançamento de última hora e no
uso de uma legenda de aluguel. Diante do que se vê hoje, a candidatura de
Silvio teve a inocência de um programa de calouros.

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