O candidato presidencial republicano Donald Trump chamou,
nesta quinta-feira (11), o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a
candidata democrata Hillary Clinton de "cofundadores" do Estado
Islâmico, em comentários que devem desencadear novas críticas a seu estilo de
campanha.
Trump já havia criticado Obama e Hillary, secretária de
Estado norte-americana entre 2009 e 2013, pela maneira como os EUA se retiraram
do Iraque depois da guerra, dizendo que isso ajudou a criar a facção
terrorista, que ocupa territórios no Iraque e na Síria.
"Ele [Obama] foi o fundador do Estado Islâmico. E ela
[Hillary] também. Quer dizer, eu os chamo de cofundadores", disse Trump em
entrevista à rede de TV CNBC na manhã de quinta. "Ele não deveria ter
saído do jeito que saiu [do Iraque]. Foi um desastre o que ele fez."
Obama foi contra a guerra do Iraque e se candidatou à Casa
Branca em 2008 prometendo encerrá-la. Os EUA retiraram suas tropas de combate
do país em 2011.
Em resposta, a campanha de Hillary classificou os
comentários de Trump como uma "alegação falsa".
"Esse é mais um exemplo de Trump falando mal dos
Estados Unidos", disse o conselheiro político da campanha de Hillary Jake
Sullivan em comunicado.
"O que é impressionante sobre os comentários de Trump é
que, mais uma vez, ele ecoa os pontos que têm sido falados pelo [presidente da
Rússia, Vladimir] Putin e por nossos adversários nos ataques aos líderes
americanos e aos interesses americanos, ao mesmo tempo em que fracassa em
apresentar planos para combater o terrorismo e tornar este país mais
seguro."
A campanha da democrata lembrou ainda que milícias apoiadas
pelos EUA retomaram o bastião do Estado Islâmico na Líbia na quarta-feira (10)
graças aos ataques aéreos autorizados por Obama.
'DIGO A VERDADE'
Trump não recuou, indagando na CNBC: "Há algo errado em
dizer isso? Ora, há gente se queixando por eu ter dito que ele foi o fundador
do Estado Islâmico? Tudo que eu faço é dizer a verdade, sou uma pessoa que diz
a verdade."
Presente no Iraque e na Síria, o Estado Islâmico tem suas
raízes na insurgência da Al Qaeda que surgiu após a invasão do Iraque liderada
por Washington em 2003. Conhecido por sua brutalidade, o grupo declarou um
califado islâmico nestes dois países em 2014.
A ideia de que um presidente ainda no cargo tenha ajudado a
fundar uma facção determinada a matar norte-americanos e outros ocidentais
levou as polêmicas declarações de Trump a um novo patamar.
Os comentários vêm na esteira de uma semana conturbada para o
republicano.
Líderes partidários exortaram o empresário a se concentrar
na campanha para derrotar Hillary depois de ele despertar repúdio devido a uma
confrontação com os pais de um militar muçulmano norte-americano que morreu no
Iraque e por sua recusa inicial a declarar apoio a candidatos proeminentes de
seu partido em suas disputas de primárias.
Da Reuters, via Folha de S.Paulo

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