O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) aceitou
nesta quarta-feira o pedido da Ipiranga para que o candidato à Prefeitura de
São Paulo João Doria (PSDB) suspenda a campanha publicitária em que faz
referência aos anúncios da empresa do ramo de combustíveis – usando o bordão
“pergunta lá”.
Na propaganda de Doria, um ator parecido com Antonio Duarte
de Almeida Júnior, o Batata, famoso por estrelar os comerciais do posto
Ipiranga, repete os trejeitos e o sotaque da propaganda original para responder
a perguntas de uma garota: “Sabe onde eu encontro UBS sem fila, hospital
limpinho e médico especialista por aqui?”. A resposta é: “Lá na propaganda do
PT” – parodiando o já famoso “Lá no posto Ipiranga”.
Tão logo a peça foi ao ar, os espectadores fizeram a conexão
entre a propaganda de sucesso e a paródia tucana – que, em nenhum momento,
pareceu tentar esconder ou disfarçar a referência. Assim que foi veiculado, o
“pergunta lá tucano” viralizou nas redes sociais.
Conforme o jornal Folha de S.Paulo, a empresa não gostou de
ver o seu bordão sendo usado no horário eleitoral gratuito e entrou com uma
representação no TRE solicitando “a suspensão do uso indevido do conceito de
sua campanha publicitária”. O pedido foi feito nesta terça-feira e acatado um
dia depois, no feriado de 7 de setembro.
“Com a ação na Justiça, a empresa buscou proteger seus
direitos sobre o conceito de sua célebre campanha”, informou a assessoria do
posto Ipiranga em nota. “A Ipiranga ressalta que não foi consultada previamente
e não cedeu seus ativos publicitários para uso em qualquer campanha eleitoral.
A companhia respeita a pluralidade democrática e faz questão de se manter
neutra em pleitos eleitorais”, afirmou a empresa.
Em um primeiro momento, o TRE-SP chegou a indeferir o pedido
da empresa – dizendo que ela não tinha legitimidade para acionar a Justiça
Eleitoral. Mas a interpretação favorável à campanha tucana foi derrubada pelo
juiz Danilo Mansano Barioni, que usou uma resolução do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) para vetar a propaganda de Doria.
A resolução usada pelo juiz na decisão trata da necessidade
de “coibir, no horário eleitoral gratuito, propaganda que se utilize de criação
intelectual sem autorização do respectivo autor ou titular”. O descumprimento
da decisão acarretaria o pagamento de uma multa de 5 mil reais (por dia de
exibição da propaganda após a decisão judicial).
A campanha de Doria disse que a propaganda já seria suspensa
nesta quarta-feira, antes mesmo da contestação da empresa. Segundo a campanha,
a propaganda “não afrontaria a legislação autoral ou eleitoral” e “não foi
observada nenhuma ilegalidade em sua veiculação”.
A campanha de João Doria ainda causa fissuras na cúpula
tucana. O ex-governador tucano de São Paulo Alberto Goldman postou vídeo em seu
blog em que chama de “fantasia” a proposta do candidato de seu partido de criar
os chamados “corujões da saúde”. Pela proposta, a Prefeitura faria convênios
com hospitais privados para utilizar sua estrutura durante a madrugada.
A campanha de Doria respondeu dizendo que “talvez, para o
ex-governador Alberto Goldman, seja correto deixar pessoas à espera de um
exame”. Enquanto Goldman e a equipe de Doria trocam críticas, o governador
Geraldo Alckmin entra na campanha de seu candidato. Nesta quinta-feira, ele vai
gravar suas primeiras participações nos programas de Doria. A decisão foi
tomada após pesquisas detectarem que o eleitor de Alckmin ainda não o
identifica com o afilhado político. Agendas conjuntas dos tucanos também estão
sendo preparadas.
Do Estadão Conteúdo, via Veja

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