sábado, 10 de março de 2018

CEARÁ VIOLENTO

Do O POVO
Pelo menos quatro dos sete mortos na chacina do Benfica tinham ligações com a Torcida Uniformizada do Fortaleza (TUF). Eram eles: Pedro Braga Barroso Neto, 22; Emilson Bandeira de Melo Júnior, 27, Carlos Victor Meneses Barros, 23; e Adenilton da Silva Ferreira, 24, os dois últimos sem antecedentes criminais.
A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) confirmou as ações simultâneas que resultaram nas sete mortes na noite de sexta-feira, 9. A pasta investiga se há relação entre elas. Os crimes ocorreram na Praça da Gentilândia, na Vila Demétrio, onde está a sede da TUF, e na rua Joaquim Magalhães, localizada na vizinhança.
“Isso foi um ato de terrorismo, não foi briga de torcida”, disse um dos dirigentes da TUF. Sob condição de anonimato, ele confirmou as identidades das quatro pessoas ligadas à organizada e afirmou que não se trata de crime relacionado a conflitos entre torcedores. “É ato aleatório. Não tem explicação, não foi vingança (de uma torcida rival).”
De acordo com o integrante da torcida tricolor, as vítimas eram membros ativos da TUF. “Eram trabalhadores. Tinham coração bom. Estavam no lugar errado, na hora errada. Toda sexta o pessoal se reúne, faz festa, churrasco na sede. E acontece uma coisa dessas.”
Mascote
Inicialmente, a informação era de que o mascote do time do Fortaleza estava entre os mortos. “Não é o mascote do clube. É que o apelido do Adenilton era ‘Mascote’, porque ele entrou muito novinho na TUF. Era um rapaz muito bom, nunca tinha feito nada de errado”, conta.
A SSPDS convocou uma coletiva de imprensa para o final desta manhã. A pasta informa diligências estão sendo conduzidas pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Os suspeitos de participarem dos assassinatos teriam usado dois veículos, um deles um modelo Honda Civic.
A chacina do Benfica ocorre menos de uma semana depois que três mulheres foram decapitadas no bairro Parque Leblon, em Caucaia. O assassinado foi filmado e divulgado nas redes sociais. No vídeo, uma das mulheres afirma que está “rasgando a camisa” de uma facção e passando para outra, a Guardiões do Estado (GDE).
Desde o início do ano, houve pelo menos quatro chacinas no Ceará: a de Maranguape, na Região Metropolitana de Fortaleza, com quatro mortos; a do bairro das Cajazeiras, com 14 mortos, a maior chacina da história do Ceará – o crime foi atribuído à GDE; e, menos de dois dias depois, a da cadeia pública do município de Itapajé (a 124 km da Capital), com outras dez vítimas, a maioria ligada a uma facção criminosa rival à Guardiões do Estado.
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