O governo ainda não tem um mês e já coleciona histórias mal
contadas suficientes para dez legislaturas na Finlândia. A internet não tem
sossego — mal absorve um escândalo e lá vem outro. Tenho pena do Queiroz, que
anda tão doente: esse tipo de situação não faz bem à saúde. Chego a temer pela
vida do rapaz.
Tenho pena também do senhor Messias, que deu um passo maior
do que a perna, e que agora se mostra tão pouco à vontade nas suas novas
funções. Tudo o que ele queria era fazer churrasco à beira da piscina e passar
o fim de semana de sunga; agora é obrigado a trabalhar, a viajar para lugares
onde jamais pensaria em pôr os pés se pudesse escolher por si mesmo e a fugir
da imprensa, que insiste em fazer perguntas.
O senhor Messias não tem mais sossego, e basta olhar para o
seu perpétuo ar contrafeito para perceber que não era bem isso que ele tinha em
mente quando se lançou a essa aventura.
Aquelas fotos do senhor Messias comendo no bandejão do
supermercado, por exemplo. Todas as sumidades reunidas ali ao lado, aproveitando
os parcos e preciosos momentos em que se encontram para trocar ideias e fazer
negócios, almoçando com um olho na comida e outro no futuro, e o senhor Messias
sozinho, com os seguranças, tentando vender como humildade o seu tédio e falta
de entrosamento.
Nem Temer se viu tão sozinho no mundo.
Em 2009, em Copenhague, Dilma, que ainda não era presidenta
e, a bem dizer, não era ninguém na fila do pão, ficou mortalmente ofendida com
a ideia de comer no bandejão da Conferência do Clima, e despachou uma de suas
assessoras para a fila — onde Angela Merkel conversava, descontraidamente, com
Nicolas Sarkozy.
No mundo dos tubarões, até bandejão tem seu modo de usar.
Luís Inácio, aquele, tinha muitos defeitos, mas tinha a
manha. Não cometeria um erro bobo desses. Chegava no estrangeiro e, onde quer
que fosse, era logo rodeado por gente ansiosa em tirar uma casquinha da sua
imbatível popularidade. A elite tem má consciência, e Luís Inácio sabia disso:
ele, homem do povo, era um passaporte político e emocional para os poderosos.
“O cara.”
O senhor Messias não. Não só não sabe como o mundo gira, como está pessimamente assessorado. Está criando um legado de imagens risíveis e constrangedoras, confiando num populismo pão com Leite Moça que pode ter funcionado na campanha, mas que não ajuda em nada a sua imagem como presidente.
O senhor Messias não. Não só não sabe como o mundo gira, como está pessimamente assessorado. Está criando um legado de imagens risíveis e constrangedoras, confiando num populismo pão com Leite Moça que pode ter funcionado na campanha, mas que não ajuda em nada a sua imagem como presidente.
Sim, eu sei que o Luís Inácio está preso; Cid Gomes já me
disse. E sim, eu sei que ainda é preciso que o senhor Messias se afaste muito
mais da senda tortuosa da virtude para sequer começar a emparelhar com os
“malfeitos” do PT.
Afinal, Luís Inácio e os seus tiveram 13 anos de governo
para azeitar a sua formidável máquina de pilhagem; o senhor Messias mal
começou.
Tudo a seu tempo.
Enquanto isso, fica um conselho para o senhor Messias: se no
próximo encontro de potentados lhe faltar companhia novamente, alegue uma
indisposição e peça comida no quarto. Não é tão barato quanto o bandejão do
supermercado, mas não é nada diante da viagem no Aerolula.

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