Bolsonaro compartilha mensagem que chama Deltan de
esquerdista
A página oficial do
presidente Jair
Bolsonaro (PSL) no Facebook compartilhou um link de uma publicação que
chama de "esquerdista estilo PSOL" o procurador Deltan
Dallagnol, coordenador da força da Lava Jato.
O compartilhamento
ocorreu na noite de sábado (10) no quadro de comentários de uma publicação de
Bolsonaro.
Após uma usuária
escrever que Bolsonaro iria fazer "muitos brasileiros felizes" caso
indicasse Deltan para a Procuradoria-Geral
da República, a página oficial de Bolsonaro respondeu com a postagem de
um link
de outra página, chamada "Bolsonaro Opressor 2.0".
Esta mensagem traz o
texto "Pra quem pede o Deltan Dellagnol [sic] na PGR... O cara é
esquerdista estilo PSOL".
A resposta também
publica reproduções em que Deltan compartilha críticas à ditadura militar e
cita casos de investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ),
filho do presidente, e sobre o esquema, revelado pela Folha, de
candidatos laranjas
do PSL envolvendo o ministro do Turismo, Marco
Álvaro Antonio.
Também há registros
de "curtidas" do procurador a publicações de outras pessoas sobre
Direitos Humanos, Amazônia e
a questão
indígena, temas considerados de esquerda por Bolsonaro e equipe. A
página "Bolsonaro Opressor 2.0" já foi comandada por Tercio Arnaud
Tomaz, assessor do gabinete de Bolsonaro.
Bolsonaro promete
anunciar sua escolha para
a PGR até a próxima sexta-feira.
MENSAGENS E A LAVA JATO
Em 9 de junho,
o site The Intercept Brasil começou
a publicar mensagens privadas e de grupos da força-tarefa da Operação Lava
Jato no aplicativo Telegram a
partir de 2015. O site informou que obteve o material de uma fonte
anônima, que pediu sigilo.
As mensagens obtidas
pelo Intercept e divulgadas até este momento revelam que Moro, então juiz
federal, indicou ao procurador Deltan
Dallagnol, chefe da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, uma testemunha
que poderia colaborar para a apuração sobre o ex-presidente Lula.
O ex-juiz, segundo
as mensagens, também orientou Deltan a incluir prova contra réu da Lava Jato em
denúncia que já havia sido oferecida pelo Ministério Público
Federal, sugeriu ao procurador alterar a ordem de fases da operação e
antecipou ao menos uma decisão judicial.
Em julho de 2017, o
então corregedor-geral do Ministério Público Federal, Hindemburgo
Chateaubriand Filho, criticou informalmente a conduta do procurador da
República Deltan Dallagnol na divulgação de palestra, ressaltou
a gravidade da situação, mas deixou de abrir apuração oficial, apontam diálogos
no aplicativo Telegram obtidos
pelo The Intercept Brasil e
analisados em conjunto com a Folha.
O caso envolveu a
divulgação feita por Deltan de uma palestra dele na
qual prometia revelações inéditas sobre a Lava Jato e que teria cobrança
de ingresso dos participantes.
Hindemburgo expôs
a reprovação ao procurador, que fez alteração no teor da publicidade da palestra.
Em seguida, ele comentou que sua intervenção no episódio resultava do
apreço que tinha por Deltan e saía da linha de atuação regular de um
corregedor-geral, o fiscal máximo da atividade dos procuradores.
“Só quero
lhe dizer q liguei em consideração a vc é ao Januário
[procurador Januário Paludo]. Como Corregedor, na verdade, não me competia
fazer o q fiz”, afirmou.

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