Chá de cadeira. Onyx está sendo colocado em fogo brando pelo
chefe. Bolsonaro demorou a receber o ministro, que voltou antes das férias nos
Estados Unidos quando viu que sua cabeça estava a prêmio. “Já que deturpou a
entrevista, acabou a conversa”, respondeu o presidente, encerrando um dos
quebra-queixo em frente ao Alvorada no fim da tarde desta sexta-feira em que
pretendia falar apenas das medidas de prevenção ao coronavírus. “Deturpar” a
conversa, no caso, é perguntar se um dos principais ministros do governo vai
permanecer ou cair.
Resta um. Nos bastidores, auxiliares dão conta de que
Bolsonaro estuda formas de realocar Onyx no governo. Poderia ser o Ministério
do Desenvolvimento Regional ou o cobiçado Ministério da Educação, mas há
obstáculos no caminho, além do desconforto do chefe da Casa Civil com a
possibilidade de que a mudança seja vista como “rebaixamento”.
Montanha-russa. O gaúcho foi o primeiro ministro anunciado
pelo então presidente eleito, ainda em outubro, juntamente com Paulo Guedes.
Tal prestígio se devia ao fato de ter sido o primeiro deputado com trânsito na
Câmara a apoiar o então baixo clero Bolsonaro, contrariando inclusive decisão
do DEM, seu partido. Ele demonstrou força ao bancar a candidatura de Davi
Alcolumbre no Senado e ao emplacar um auxiliar seu no Ministério da Educação,
mas foi perdendo espaço para outros integrantes do Planalto e se indispondo com
Guedes pelo rumo das reformas.
Eles que lutem. Onyx agora vive a situação bastante
constrangedora de ter de duelar por uma vaga com um aliado seu, o titular da
Educação, Abraham Weintraub, que ele “inventou” no bolsonarismo. Weintraub
começou uma campanha para se manter no posto que passa por atiçar uma das
principais características de Bolsonaro: a paranoia. Passou a ventilar que Rodrigo
Maia o ataca para iniciar o caminho para propor o impeachment do presidente.
Tenta, assim, obter um biombo para evitar sua saída do governo com base apenas
na lealdade, e não em critérios técnicos ou gerenciais, uma vez que o caos
administrativo se alastra pela Educação.
Prioridades. Enquanto uma guerra como sempre autoinduzida
consome o presidente, seus filhos, alguns dos principais ministros e vários
postos de escalões inferiores, às vésperas da volta do Congresso, no mundo
grandes reviravoltas podem ter consequências para o Brasil sem que o governo
pareça dar a elas a atenção devida. O Reino Unido selou sua saída da União
Europeia, o que deve mexer com interesses brasileiros, entre eles a prioridade
para o acordo comercial entre Brasil e UE. E o surto de coronavírus galopa no
mundo enquanto o Brasil ainda engatinha em medidas tímidas e restritas ao
Ministério da Saúde, sem que haja uma abordagem global de governo, que englobe
áreas como comércio exterior, agricultura, turismo e segurança, por exemplo.

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