O que esperar da política indigenista de um presidente da
República capaz de dizer que o índio “está evoluindo” e é “cada
vez mais [...] um ser humano igual a nós”? O pior.
Jair Bolsonaro discursa e age de acordo com a doutrina
militar ultrapassada segundo a qual povos indígenas e suas terras representam
uma ameaça para a soberania nacional e a integridade do território.
Essa visão, desprovida de base factual, privilegia a mal
denominada integração do índio à sociedade, ou seja, sua aculturação.
Mais: está em conflito aberto com o comando da Constituição
Federal sobre índios, que determina à União reconhecer e proteger sua
organização social e costumes, além dos direitos sobre as terras
tradicionalmente ocupadas, que lhe compete demarcar.
Para afrontar a Carta na recusa a homologar terras
indígenas, Bolsonaro tem a cumplicidade do ministro da Justiça e Segurança
Pública, Sergio Moro. Sob cuja alçada ficou, afinal, a Fundação Nacional do
Índio (Funai), após o presidente desistir de entregá-la a ruralistas.
Moro demonstrou subserviência ao devolver 17 processos de
demarcação que aguardavam sua decisão. O pretexto foi instruir a Funai a
analisar se estavam cumpridas diretrizes
fixadas em controversa manifestação da Advocacia-Geral da União (AGU) ainda
no governo de Michel Temer (MDB).
Há quem veja por trás da política anti-indigenista de
Bolsonaro somente a cobiça de grileiros, pecuaristas e mineradoras. Parece
evidente, contudo, que a aniquilação cultural com dividendos religiosos também
norteia o Planalto.
Dá-se como quase certa, agora, a escolha para a Coordenação
Geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai de um
missionário evangélico da organização norte-americana Novas Tribos (rebatizada
Ethnos360), com a missão de converter à fé cristã 2.500 povos aborígenes em
dezenas de países.
Ao que parece, se for para descontinuar a política da Funai
inspirada no marechal Cândido Rondon de resguardar o isolamento cultural e
sanitário de 28 grupos vulneráveis da Amazônia, Bolsonaro não hesita em reabrir
as portas para uma ONG internacional globalista.

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