Ainda faltam três anos para a eleição presidencial, mas a
troca de titulares em alguns postos-chave da República neste ano e no início do
próximo será crucial para definir o cenário em que se dará a disputa pela
sucessão de Jair Bolsonaro.
O mais estratégico desses cargos é a presidência da Câmara.
Bolsonaro e seu entorno já perceberam que Rodrigo Maia fez dela um bunker para
frear os projetos prioritários do presidente, aqueles que ele prometeu na
campanha e que pretende apresentar como realizações.
Mas Maia não pode mais se reeleger, e não está claro quem
será o seu escolhido para manter a coalizão de partidos que conseguiu reunir em
torno de si para frear na largada a pretensão de Bolsonaro de governar sem
maioria no Legislativo, apenas impondo sua agenda de fora (a partir das redes
sociais) para dentro.
Bolsonaro sabe que se deve a essa estratégia brilhante de
Maia – elevar a importância do Parlamento justamente quando o presidente
planejava escanteá-lo – a maior parte de seus fracassos. E por isso vai se
empenhar para ter alguém seu no comando da Câmara.
O Planalto não considera a troca no Senado tão vital porque
Davi Alcolumbre é considerado mais disposto ao diálogo e já ajudou o governo.
Atravessando a Praça dos Três Poderes, já estão a pleno
vapor dois movimentos, aí, sim, cruciais, para o futuro de Bolsonaro e a
eleição de 2022: a troca de Dias Toffoli por Luiz Fux no comando do Supremo
Tribunal Federal, que ocorre em setembro, e a campanha aberta pela cadeira do
decano Celso de Mello, em novembro.
Toffoli e Fux já encenaram a sucessão à luz do dia. Ao
cassar uma liminar concedida pelo atual presidente no recesso, o vice e futuro
ocupante do cargo quis, propositalmente, sinalizar que vem aí uma mudança de
paradigma.
Em seus dois anos no comando do STF, Toffoli fortaleceu a
ala “garantista” da Corte, agiu para conter o poder da Lava Jato e, no plano
pessoal, trabalhou para se livrar da imagem de petista, aproximando-se de
Bolsonaro com tamanha eficiência que, hoje, é um dos poucos nomes da República
que o presidente consulta para questões jurídicas e institucionais envolvendo
limites entre os três Poderes.
Sem o “parça” Toffoli e com o lavajatista Fux no comando,
Bolsonaro se apavora com o que pode acontecer com casos como o do seu filho
Flávio.
A nomeação do sucessor de Celso de Mello também ocupa
Bolsonaro, que já não esconde a disputa declarada entre três de seus auxiliares
pela vaga. Se o presidente quiser facilitar a rota que o leva a 2022, designará
Sérgio Moro para a vaga: limpa, assim, a barra com o público lavajatista, que
anda ressabiado com sua dubiedade no combate à corrupção, e tira o mais forte
oponente do seu cangote. Mas não é esse seu desejo precípuo: preferiria indicar
o “terrivelmente evangélico” AGU André Mendonça ou o absolutamente fiel Jorge
Oliveira, o secretário-geral da Presidência recém-formado em Direito e com
nenhuma biografia no meio jurídico.
Os bolsonaristas que desconfiam de Moro argumentam que ele
poderia ir na segunda vaga, ainda no primeiro mandato de Bolsonaro, mas os
moristas alertam: o ministro já foi mordido pela mosca azul da política e, a
cada vez que se expõe, tem mais evidências da própria força junto ao eleitorado
de Bolsonaro.
A campanha de 2022 já corre a todo vapor, não na desnorteada
esquerda do esvaziado Lula ou no pulverizado centro, mas no quintal de
Bolsonaro. E a ocupação dos espaços nos postos de mando institucional é a chave
que, além do sucesso da economia, definirá se o “capitão” terá travessia mais
tranquila ou mais pedregosa para tentar mais quatro anos no poder.

Nenhum comentário:
Postar um comentário