Charge do Alpino
Eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados, vai vendo o naipe dos candidatos
quarta-feira, 13 de julho de 2016
OCORRÊNCIAS JUDICIAIS
Da Lupa, revista Piauí
Os 513 deputados federais elegerão na tarde desta
quarta-feira (13) o próximo presidente da Câmara. Segundo as normas da Casa, o
escolhido deverá ficar no cargo até fevereiro de 2017, em substituição ao
deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou à presidência da Câmara na
semana passada.
Até às 12 horas desta quarta-feira, quando expirou o prazo
para registro de candidaturas, 17 deputados* haviam se apresentado para
disputar o mandato. Apenas cinco deles não possuem ocorrências na Justiça e/ou
nos Tribunais de Contas do país. Os outros 12 (70 % do total) têm processos ou
inquéritos abertos em seu nome, segundo levantamento feito pela Lupa nos dados
reunidos no projeto Excelências, mantido pela Transparência Brasil.
Os 12 deputados que postulam o cargo de presidente da Câmara
e têm ocorrências somam juntos 96 pendências na Justiça e/ou nos Tribunais de
Contas. O deputado Beto Mansur (PRB-SP), sozinho, responde por 56 delas, sendo
o número um no ranking de deputados com ocorrências judiciais. O segundo lugar
ficar com Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO). Ele tem, também sozinho, 18
ocorrências. Confira abaixo a lista completa:
No grupo dos 12 deputados que são candidatos à presidência
da Câmara e que têm ocorrências judiciais, a Lupa também identificou quatro que
são réus em ações na Justiça. São eles, Beto Mansur (PRB-SP), Espiridião Amin
(PP-SC), Fausto Pinato (PP-SP) e Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO). Pelo menos cinco deputados também já sofreram
algum tipo de condenação. Confira:
A votação está programada para ocorrer em Brasília às 16h**
desta quarta-feira e não tem previsão de encerramento. O prazo para registro
das candidaturas foi encerrado às 12 horas, e a Lupa fez este levantamento com
base na lista final de candidatos apresentada pela Câmara nesse horário.
O projeto Excelências sofre atualizações constantes.
Modificações realizadas em sua base de dados depois do meio-dia de 13 de julho
de 2016 não serão refletidas nesta reportagem nem no tuitaço que a acompanha na
conta @AgenciaLupa.
Ainda vale lembrar que os deputados podem retirar suas
candidaturas até uma hora antes do início da sessão.
* Nota 1: A deputada Maria do Rosário (PT-RS) retirou a
candidatura às 14h43. O deputado federal Beto Mansur (PRB-SP) desistiu de
disputar a presidência da Câmara às 14h51. O deputado Fausto Pinato retirou seu
nome da eleição para o comando da Casa às 15h35.
** Nota 2: O início da sessão foi adiado para as 17h30
*** Nota 3: Informações extras da Transparência Brasil sobre
o conceito de “ocorrências na Justiça e/ou Tribunais de Contas”: Pode acontecer
ausência de menção a processo em que algum parlamentar é réu ou foi punido,
porque tais informações dependem da disponibilidade de dados em cada Corte,
havendo grande disparidade entre elas. Processos que correm em primeira
instância só são incluídos quando movidos pelo Ministério Público ou outros
órgãos públicos. No caso de rejeição de contas eleitorais, todas as decisões
são assinaladas (desde que o político não tenha obtido a anulação da decisão).
São anotadas ocorrências relativas a homicídio, estupro e pedofilia, mas não
são incluídos litígios de natureza privada (como disputas por pensão
alimentícia), nem queixas relacionadas a crimes contra a honra (porque
políticos são freqüentemente alvo desse tipo de processo). Assinalam-se
inscrições na dívida ativa previdenciária e na lista de autuados por exploração
do trabalho escravo.
POR QUE TÃO TARDE ?
Cunha renunciou. Ainda estou devendo a mim mesmo uma
explicacão de como foi possível a trajetória e a resiliência de Cunha na
democracia brasileira. É um pouco cedo para isso. Cunha oferece um anel para
não perder os dedos. Todos sabem em Brasília que ele renunciou à presidência na
esperança de manter o mandato e escapar de Curitiba.
O momento em que suas lágrimas me pareceram mais
convincentes foi quando mencionou mulher e filha. Também foram envolvidas e,
certamente, muito criticadas na imprensa e nas redes sociais. As lágrimas são
enigmáticas. Seu último esforço é, precisamente, escapar do destino delas: ser
julgado em Curitiba.
Como se as duas fossem jogadas ao mar, e ele se amarrasse no
mastro do foro privilegiado. Cunha ouviu cantos da sereia. E os cantos, que
ecoaram até no Palácio do Planalto, entoam promessa de manter o mandato.
Ulisses, o herói grego, era previdente. Cunha é apenas um cabeça dura.
Vai perder o mandato e iniciar uma segunda negociação, desta
vez com a própria Lava-Jato. De novo vai pedir muito e oferecer pouco.
Acontece que, na cadeia, petições e recursos tão abundantes
na Câmara são mais um passatempo: um papel almaço e uma caneta bic, você passa
o dia escrevendo.
A tendência de Cunha é negociar sua delação também no
universo político. É um mecanismo muito complexo. A delação da Odebrecht, por
exemplo, ainda não saiu. E, segundo as notícias, demorou por causa de uma
tendência seletiva: salvar alguns, queimar outros.
Uma parte dos políticos, e talvez da própria imprensa,
admirava a inteligência de Cunha. Um exemplo dela era sua capacidade de
postergar, através de mil expedientes, o processo contra ele. Mas isso é uma
tática inteligente apenas num momento de miopia política. Cunha estava apenas
tornando sua situação mais grave, inclusive atrasando o próprio ritmo.
Quanto mais insistia na tecla, mais estreitava o caminho.
Ele é réu no Supremo Tribunal Federal. A Petrobras quer se associar à acusação
contra ele. O órgão supremo da Justiça e a maior empresa do Brasil na mesma
ação contra ele. E ele, com um pequeno grupo fisiológico na Câmara, desafiando
tudo, inclusive evidências: contas na Suíça, viagens milionárias, as inúmeras
delações que revelam uma tática agressiva e um apetite voraz no submundo da
propina.
Diante de tudo isso, chora ao microfone e diz estar sendo
vítima de uma perseguição. Ele quer que você acredite que está sendo derrubado
porque a Câmara derrubou a Dilma. Cunha teve um papel institucional no
impeachment, comandou o processo na Câmara. Ele acredita que isso possa atenuar
sua biografia. Mas teremos em conta que Cunha foi um grande constrangimento
para milhões de pessoas que apoiavam o impeachment. Elas só o aceitavam por
falta de alternativa.
Cunha na verdade ofereceu um imenso flanco para que o
processo fosse visto no exterior como algo realizado apenas por políticos
corruptos. O PT associou o impeachment a Cunha exatamente por saber de sua
rejeição. A própria sessão que derrubou Dilma acabou sendo desses programas de
TV que terminam como uma chamada do anúncio do próximo programa: Eduardo Cunha.
Não deu outra. No fundo, todos sabíamos que ele cairia, mais
cedo ou mais tarde. Minha questão é esta: por que tão tarde? Diante de todas as
evidências contra ele, a suposta inteligente estratégia de Eduardo Cunha não
teria sido apenas um surto, uma alucinação. Corrupção à parte, a trajetória de
Eduardo Cunha mostra como a democracia pode ser vulnerável contra alguém que
usa suas regras como um escudo. Qual o momento certo de acabar com a farsa?
O Congresso ainda não o puniu, o Supremo apenas o afastou do
cargo. Na semana que vem, possivelmente, estará de novo chorando, se a Câmara
julgar seu caso.
Quando Cunha estiver fazendo suas petições com caneta bic,
já não haverá peripécias. E poderei amadurecer uma dúvida. Sua trajetória,
agora fracassada, demove aventureiros mafiosos ou os atrai para o campo da
política?
Isso tem a ver com as condições gerais da degradação da
política no Brasil e a fragilidade das leis contra a corrupção. O governo
retirou a urgência de três projetos contra a corrupção. Diante de tudo que está
se passando, Temer não consegue ver a urgência?
Trabalhando no interior ouvi uma notícia sobre a operação da
PF chamada Abismo. Perguntei: depois do abismo virá o quê? Veio a Operação
Pripyat, uma cidade ucraniana vizinha de Chernobyl, devastada pelo desastre
nuclear.
Já estamos no pós-desastre nuclear. O processo de corrupção
foi devastador e extenso. Para dizer a verdade, perdemos um grande tempo com
Eduardo Cunha. O ideal seria perder com ele uma certa ingenuidade democrática,
o alvo preferido dos mafiosos aventureiros de todos os matizes.
Artigo publicado no Segundo Caderno do O Globo em 10/07/2016
terça-feira, 12 de julho de 2016
DINHEIRO SUJO
No dia 20 de abril, a ministra Maria Thereza de Assis Moura,
corregedora-geral da Justiça Eleitoral, autorizou a apuração das suspeitas de
que a campanha à reeleição da presidente Dilma Rousseff, em 2014, havia
utilizado gráficas para lavar dinheiro do Petrolão. Na última semana, o
relatório entrou em fase final de redação e uma perícia deverá ser oficialmente
divulgada no próximo mês. ISTOÉ apurou que as evidências de lavagem de recursos
desviados da Petrobras se confirmaram. As empresas VTPB, Focal e Red Seg não
conseguiram comprovar que prestaram os serviços declarados durante as últimas
eleições, o que reforçam os indícios de que eram mesmo de fachada e serviram de
ponte para o pagamento de propinas do Petrolão. Juntas, elas receberam uma
fábula da campanha de Dilma em 2014: R$ 52 milhões.
A Focal foi a segunda que mais recebeu recursos do PT, só
ficando atrás do marqueteiro João Santana. Um total de R$ 24 milhões. Mas a
gráfica, assim como a VTPB e a Red Seg, simplesmente não apresentou notas
fiscais, comprovantes de pagamento, ordens de serviço, contratos trabalhistas
ou de subcontratação de terceiros, além de extratos de transferências bancárias
que justificassem as atividades exercidas para a campanha de Dilma a um custo
milionário. Esses documentos eram fundamentais para provar que as gráficas não
foram usadas como laranjas pelo PT para esquentar dinheiro ilegal. A ausência
da papelada compromete a campanha de Dilma e incrementa o caldo político que
pode levar ao seu afastamento definitivo em agosto, no derradeiro julgamento do
impeachment. “A ausência da devida comprovação de gastos eleitorais,
principalmente quando envolver altos valores, pode indicar a ocorrência de
graves fraudes e até lavagem de dinheiro, com sérias consequências”, afirmou o
presidente do TSE, Gilmar Mendes.
Os peritos do TSE visitaram as três gráficas entre maio e
junho. Seus donos contaram histórias mirabolantes na tentativa de atestar que
colocaram seu maquinário a serviço da petista em 2014. Por isso, teriam sido
aquinhoadas com os R$ 52 milhões declarados pela campanha de Dilma. As versões,
repetidas também à ISTOÉ, não param em pé. Para comprová-las, as empresas
tinham até o dia 24 de junho para entregar a farta documentação exigida pela
Justiça Eleitoral. O não fornecimento das provas exigidas pela Justiça
Eleitoral torna muito difícil a absolvição das gráficas pela perícia do TSE.
Quem for hoje às dependências da Focal vai se deparar com
uma estrutura ínfima. A empresa de Carlos Cortegoso, ex-garçom de Lula, fica
localizada em São Paulo e exibe uma portinha que seria incompatível com o
volume de produtos que ela declarou ter fornecido à campanha de Dilma em 2014.
Dividida em dois pisos de cerca de 40 metros quadrados cada um, a empresa conta
com apenas duas impressoras e só três funcionários trabalham por lá. Os
proprietários argumentam que, durante o período da campanha, a empresa chegou a
ter 200 funcionários, quando ainda estava sediada em São Bernardo do Campo,
cidade vizinha à capital paulista, em um espaço bem maior. Entretanto, não
foram apresentados ao TSE contratos de trabalho desses colaboradores. Como
desculpa, argumentaram que eram prestados serviços semanais, sem vínculo trabalhista.
Alegaram ainda que os equipamentos de offset utilizados para atender ao PT
estariam acondicionados em outro imóvel de Cortegoso. Todavia, o empresário não
apresentou as notas fiscais das máquinas, nem comprovou ainda que a tralha
estava registrada nos ativos da companhia em 2014. “Existem algumas pequenas
irregularidades no sentido fiscal, mas no sentido de criminal não tem nada”,
jurou Cortegoso, abordado pela reportagem da revista. Carece de explicação
ainda como uma gráfica, sediada em São Bernardo, poderia ter erguido palanques
para a campanha à reeleição de Dilma Rousseff Brasil afora, conforme declarou
ao TSE. Até a última semana, porém, mais essa atividade suspeita não havia sido
justificada aos peritos do tribunal.
As dependências da empresa VTPB são ainda mais
inacreditáveis, em termos de estrutura física. É uma gráfica muito engraçada,
não tem impressora, não tem nada. Nem scanner, sequer máquina de xerox. O
endereço fiscal fica registrado em uma kitnet no bairro da Casa Verde, zona norte
de São Paulo. Os donos da empresa dizem sem corar a face que a estrutura micro
não é conflitante com os R$ 22,9 milhões repassados pela campanha da presidente
afastada nas últimas eleições. A empresa, segundo suas explicações, trabalha
fazendo a intermediação entre os políticos que precisam de santinhos, por
exemplo, e as gráficas que os produzem. Contudo, não foram apresentadas notas
fiscais ou contratos que comprovem essas subcontratações. Tampouco comprovantes
de pagamentos ou ordens de serviço.
Mas quem lacrou mesmo foi a Rede Seg. Abastecida com R$ 6,15
milhões da campanha de Dilma, a gráfica sequer entregou cópias ou originais do
livro contábil, porque ele simplesmente não existe. A gráfica – 8ª maior
beneficiária de dinheiro da campanha que reelegeu a presidente da República em
2014 – não faz contabilidade escriturada da empresa. Isto, por si só, já
configuraria, no mínimo, um “ilícito fiscal”, segundo advogados ouvidos pela
ISTOÉ. A Red Seg também está lotada em um imóvel que abriga somente uma
guilhotina de papel e uma impressora, que também é filha única. Os documentos
do estabelecimento apontam como proprietário Vivaldo Dias da Silva. Um ano
antes da campanha, de acordo com dados do Ministério do Trabalho, ele era
motorista e ganhava salário de R$ 1.490.
As suspeitas de que o montante repassado à Focal, VTPB e Red
Seg era oriundo do esquema do Petrolão foram levantadas a partir da delação
premiada de donos de empreiteiras presos em decorrência dos desdobramentos da
operação Lava Jato. O mandatário da UTC, Ricardo Pessoa, que assinou a
colaboração com o Ministério Público, afirmou que repassou R$ 7,5 milhões à
campanha de Dilma Rousseff (PT). E que o dinheiro teve origem no Petrolão. O
mesmo empresário contou que realizou três repasses de R$ 2,5 milhões. Ao que
tudo indica, uma dessas parcelas serviu para saldar notas fiscais da VTPB e
Focal. O repasse ocorreu em 27 de agosto ao tesoureiro Edinho Silva,
ex-ministro das Comunicações, que realizou quatro depósitos na conta da VTPB no
total de R$ 1,7 milhão. Outros R$ 672,6 mil irrigaram os cofres da Focal.
Aproximadamente R$ 1,8 milhão teve como destino a gráfica Red Seg. Esses não
foram os únicos repasses feitos pela campanha de Dilma às fornecedoras
suspeitas de lavagem de dinheiro. Os maiores montantes destinados à Focal e à
VTPB também são de 2014 e da ordem de R$ 24 milhões e R$ 23 milhões,
respectivamente.
Chamou a atenção do TSE o volume gasto pelo comitê eleitoral
de Dilma com serviços de confecção de faixas e santinhos. No dia 29 de julho do
ano passado, o ministro Gilmar Mendes, que ocupava a cadeira de vice-presidente
da corte eleitoral, pediu à Polícia Federal que investigasse as três empresas.
No documento, Mendes recomendou que os agentes concentrassem as atenções na
empresa Focal. A PF aproveitou e relacionou a VTPB no bojo da apuração. Um
relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) já apontava
para a existência de crime de lavagem de dinheiro praticado pela VTPB uma vez
que havia a comunicação de movimentação atípica nas contas da empresa.
Outro indício de que as empresas fornecedoras possam fazer
parte do esquema de lavagem de dinheiro, por meio de serviços gráficos,
refere-se à prestação de contas da campanha da petista. Há centenas de recibos
eleitorais de doações de materiais e serviços. Parte deles está em nome dos
mesmos financiadores diretos da campanha. Ou seja, o “produto” doado é
produzido pelas mesmas empresas suspeitas, mas leva o carimbo de outra
campanha. É o caso do deputado Vicentinho. Ele encomendou à Focal Comunicação a
produção de centenas de faixas para a campanha da presidente. O que intriga a
investigação é que o petista, que arrecadou pouco mais de R$ 1,4 milhão, tenha
ainda contribuído materialmente para a reeleição de Dilma com R$ 350 milhões.
Também intrigou os técnicos do TSE o fato de valores
declarados nos recibos de doação de materiais serem muitas vezes bem abaixo do
valor praticado no mercado. Do total da produção de santinhos pela Axis
Grafica, de São Caetano do Sul (RS), o Comitê Financeiro do PT doou para a
campanha de Dilma 6,5% de um total de 30 mil, ou 1.950 itens. O valor declarado
pela campanha foi de apenas R$ 14,62. Mas uma no mercado gráfico o valor médio
é de R$ 1,8 mil para a quantidade total encomendada e de R$ 121 equivalente ao
percentual doado.
A ministra Maria Thereza, relatora do pedido de cassação de
Dilma no TSE, ainda está pedindo o compartilhamento de provas e informações
obtidas pelas investigações da PF. À ISTOÉ, o ministro Gilmar Mendes ponderou
que “nem todas as diligências foram cumpridas pelo TSE e há outras em curso, de
modo que há de se aguardar uma maior quantidade de elementos para elaboração do
relatório final da perícia”. O prazo é de 90 dias, que alcançará meados de
agosto. Até lá, é possível que o afastamento definitivo de Dilma Rousseff já
tenha sido julgado pelo Senado.
AQUELE ABRAÇO
Pressionado por sua própria base, o PT recuou e desistiu de
apoiar a candidatura do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara.
O partido avalizou Marcelo Castro (PMDB-PI), que também entrou na briga para
ocupar a cadeira de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), após a renúncia do deputado,
atingido pela Operação Lava Jato.
Foi tensa a reunião da bancada do PT, nesta segunda-feira
(11) para decidir o rumo do partido na sucessão de Cunha. De um lado, um grupo
defendia o apoio a Maia - com o aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva
- e, de outro, uma ala pregava a adesão a Castro, que foi ministro da Saúde e
votou contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Havia, ainda, uma
pequena ala que preferia a candidatura de Fernando Giacobo (PR-PR).
"Nitidamente, o apoio a Rodrigo Maia não é majoritário
na bancada", resumiu o líder do PT na Câmara, Afonso Florence (BA). O
deputado Andres Sanchez (SP) saiu irritado da reunião, na sede do PT.
"Falam aqui que não se pode apoiar candidato nem partido que ficou a favor
do impeachment. Se for assim, não apoiamos ninguém. E, depois, quem abraçou
Maluf pode tudo", afirmou ele, lembrando acordo fechado na eleição para a
Prefeitura de São Paulo, em 2012, entre o então candidato do PT, Fernando
Haddad, e o deputado Paulo Maluf (PP-SP), inimigo dos petistas.
O encontro durou quase cinco horas e, ao final, ninguém mais
escondia o racha. "Não precisamos caminhar numa camisa de força antes da
hora. Vamos cercando as vírgulas", contemporizou o deputado Patrus Ananias
(PT-MG), ex-ministro de Dilma.
A ideia de endossar Maia, um entusiasta do impeachment,
tinha o objetivo de quebrar a hegemonia do "Centrão", bloco ligado a
Cunha. A estratégia, porém, provocou forte reação de militantes do PT.
Composta por 58 deputados, a bancada vai agora procurar
candidatos e partidos contrários ao que chama de "golpe", na
tentativa de adotar posição comum na eleição que escolherá o presidente da
Câmara, marcada para quarta-feira. O PC do B e o PDT, por exemplo, são dois
partidos que se posicionaram contra o afastamento de Dilma. Apesar de divididas,
porém, essas legendas se mostram hoje mais propensas a endossar Maia, em acordo
que também passaria pelo PSDB do senador Aécio Neves (MG).
O PT vai propor, ainda, que a cassação de Cunha seja votada
nesta semana, antes do recesso branco. "Se não for assim, a eleição será
contaminada", disse o deputado Henrique Fontana (RS). As informações são
do jornal "O Estado de S. Paulo".
Do Estadão Conteúdo
ESQUERDA ATORDOADA
A eleição para presidente da Câmara Federal, tem demostrado
que PT e PC do B, dois partidos que representam a esquerda – o PSOL, de
esquerda, lançou Luiza Erundina – dão sinais de uma esquerda atordoada, esquizofrênico: um grupos de parlamentares
desses dois partidos anunciaram apoio à
candidatura de Rodrigo Maia (DEM-RJ), um fiel representante da direita.
Após a repercussão negativa, um choque de realidade para que
a esquerda brasileira faça o papel de esquerda, o apoio a Rodrigo Maia (filho
de César Maia, tão odiado pela esquerda) foi retirado.
Após o vergonhoso apoio de setores do PT, PC do B à Maia, os
dois partidores resolverem ter candidaturas, que, visivelmente são fakes, com
intuito de embolar o jogo.
Parece que o atordoamento da esquerda continua pungente;
orquestrado pelo ex-presidente Lula, a esquerda deve apoiar maciçamente a
candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI), ex-ministro da Saúde do governo Dilma.
O PMDB, partido do governo em exercício de Michel Temer, tão
execrado pelos petistas, parece contar agora com a simpatia da esquerda para
eleger o sucesso de Eduardo Cunha. Castro é o candidato oficial do PT, até José
Guimarães, líder do governo Dilma, teceu elogios a Marcelo Castro.
MORRE LUIZA DE BAIRROS
Morreu na manhã desta terça-feira, 12, em Porto Alegre (RS),
aos 63 anos, a ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial Luiza Helena de Bairros, vítima de um câncer no pulmão. A informação foi
confirmada pelo PT gaúcho. A presidente da República afastada, Dilma Rousseff,
lamentou a notícia.
"Hoje é um dia triste para todos do movimento negro e
daqueles que lutam pela igualdade racial no Brasil", disse ela em uma nota
publicada em sua página oficial no Facebook. Luiza comandou a secretaria entre
2011 e 2014, no primeiro mandato de Dilma.
Natural de Porto Alegre, Luiza se formou em Administração de
Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Depois,
mudou-se para a Bahia, onde construiu sua carreira política e cursou mestrado
em Ciências Sociais. Ela também estudou Sociologia nos Estados Unidos e participou
de projetos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Sua
principal bandeira sempre foi o combate ao racismo.
"Luiza foi uma incansável militante da causa negra e da
democracia brasileira. Sua obra permanece viva e continua sendo um símbolo da
luta contra o preconceito e em favor das melhores causas da vida política
nacional", disse Dilma. "Meus sentimentos à família, aos amigos e
companheiros de luta. Estejam certos que sua lembrança guiará a todos nós na
luta pela igualdade racial e de gênero. Sempre nos sentiremos honrados pelos
anos de convívio com Luiza Bairros."
O Partido dos Trabalhadores no Rio Grande do Sul também
divulgou uma nota lamentando o falecimento da ex-ministra. Segundo o texto, ela
lutava contra o câncer de pulmão há três meses. Ainda não há informações sobre
o velório.
segunda-feira, 11 de julho de 2016
CUNHA SAI DO JOGO
A renúncia de Eduardo Cunha à presidência da Câmara era
questão de tempo. No domingo, 3 de julho, Cunha finalmente concebeu que seu
tempo se esgotara. Afastado do cargo há dois meses por decisão do Supremo
Tribunal Federal, e perto de ser cassado por quebra de decoro parlamentar, ele
não só não tinha mais saída, como o arranjo de um interino em seu posto
começava a incomodar o Palácio do Planalto. A pressão da família, em especial
da esposa, Cláudia Cruz, ré na Lava Jato, de seus advogados e de aliados
políticos o fez dar um passo definitivo. Naquele domingo, Cunha começou a
escrever sua carta de renúncia. A data escolhida para tornar o documento
público era a terça-feira, dia 5, quando se completavam exatamente dois meses
de seu afastamento. O dia chegou, e Cunha, que nunca quis perder poder,
hesitou. Deixou para o dia seguinte, quarta-feira. Adiou de novo, para não misturar
o fato negativo com o aniversário de uma das filhas. Foi quando o deputado
Osmar Serraglio, seu colega de PMDB, presidente da Comissão de Constituição e
Justiça da Câmara, anunciou que o recurso apresentado pela defesa de Cunha
contra a cassação seria analisado nesta segunda-feira, dia 11. A derrota era
quase certa. Não dava mais para esperar.
Na noite da quarta-feira, Cunha chamou um grupo de amigos,
advogados e os deputados mais próximos para conversar. Deixou de fora aqueles
aliados que pudessem vazar que sua renúncia era iminente, como os deputados
Paulinho da Força, do Solidariedade de São Paulo, e Lúcio Vieira Lima, do PMDB
baiano. Ao Palácio do Planalto, mandou um recado pelo ex-deputado Sandro Mabel,
que ocupa informalmente o cargo de assessor especial do presidente interino,
Michel Temer, para a Câmara. Cuidadoso, evitou usar menções diretas; só avisou
a Temer que “faria um pronunciamento na manhã seguinte”. Oficialmente, o
Palácio do Planalto diz que Temer soube sobre a renúncia “pela imprensa” durante
uma reunião e assistiu ao pronunciamento de Cunha pela televisão, ao lado dos
ministros da Fazenda, Henrique Meirelles, e da Casa Civil, Eliseu Padilha.
Cunha chegou com aparente normalidade à Câmara na tarde de
quinta-feira. Foi à Secretaria-Geral da Mesa e protocolou a carta de renúncia,
como manda a regra. Apesar da postura decidida, estava claramente
constrangido – o rubor que tomava conta
do seu rosto sinalizava o desconforto. Há uma década, outro presidente da
Câmara, o folclórico Severino Cavalcante, fizera o mesmo que Cunha. Severino,
entretanto, teve o privilégio de renunciar de seu lugar devido, seu assento na
mesa diretora, diante do plenário. Apanhado por uma vergonhosa e reles cobrança
de propina de um dono de restaurante – caiu por um cheque de R$ 10 mil –,
Severino subiu ao seu lugar e leu um discurso, ouvido pelos deputados que
lotavam o local em um silêncio sepulcral.
Impedido pelo Supremo até mesmo de entrar no plenário,
Eduardo Cunha teve de se contentar com bem menos formalidade e liturgia.
Caminhou para o Salão Nobre e renunciou para jornalistas e uns poucos colegas.
Fez isso tentando aparentar bom humor, ao dizer que estava com saudades de
falar com a imprensa. Quando começou a ler a carta, o tom mudou: ao fazer
agradecimentos, a voz embargou e uma lágrima escorreu quando mencionou a esposa
e a filha Danielle Dytz, ambas investigadas na Lava Jato e sob a jurisdição do
juiz Sergio Moro, a partir de investigações sobre o deputado. Ninguém esperava
testemunhar o dia em que o frio Eduardo Cunha, aquele que se mantém impassível
quando xingado por manifestantes ou atacado por algum adversário a seu lado,
choraria em público. Quem convive com Cunha jura que as lágrimas foram
sinceras. Quem descarta a possibilidade de Cunha estar abalado e estudar a
possibilidade de colaborar com a Lava Jato ouve: “Você já teve uma filha
investigada sob os cuidados do Moro?”.
Entretanto, apenas os inocentes enxergam uma desistência na
decisão de Cunha de renunciar. Trata-se, na verdade, de outro passo na longa
estratégia dele de ganhar tempo para preservar o mandato. Cunha foi o
presidente da Câmara mais poderoso desde Ulysses Guimarães, no governo José
Sarney (1985-1990). Após anos de presidências dóceis ao Executivo, Cunha
derrotou o governo Dilma Rousseff em praticamente tudo. Controlador de uma
maioria dispersa por partidos grandes, médios e pequenos, formada basicamente
pelo extenso baixo clero, conseguiu feitos impensáveis, entre eles cumprir
todos os ritos para aprovar o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Desde
que surgiram as primeiras suspeitas da Operação Lava Jato sobre sua atuação
paralela à política, há um ano, Cunha usa essa rede de apoios a seu favor.
Opera com a lógica de alongar períodos e instalar curvas no que deveria ser uma
linha reta processual.
Com a jogada mais recente, ele aproveita a proximidade do
recesso parlamentar para empreender um movimento rasteiro. Como o regimento da
Câmara prevê que, após a renúncia do presidente, um novo tem de ser escolhido
em até cinco sessões, Cunha baixou sua carta na hora exata, às vésperas da
última semana de trabalho antes do recesso. A renúncia obriga a Câmara a
concentrar-se na escolha de um novo presidente. Assim, a Comissão de Constituição
e Justiça da Casa pode não examinar o recurso apresentado pela defesa de Cunha
– que pede a reversão de seu processo de cassação, aprovado pelo Conselho de
Ética – antes do recesso. O assunto pode ser retomado em agosto. Cunha terá,
dessa forma, ao menos três semanas para articular uma tentativa de conservar o
mandato.
Uma das pontas acertadas por Cunha com a renúncia está no
Palácio do Planalto. Ministros e assessores próximos de Temer estavam
assustados com as mais recentes atitudes do deputado Waldir Maranhão,
presidente interino da Câmara. Em dois meses, Maranhão praticamente não
conseguiu sentar na cadeira de presidente no plenário por mais de dez minutos –
só em uma ocasião não foi expulso pelas vaias dos deputados. Na semana passada,
ele cobrou dos partidos a indicação de deputados para compor a comissão
especial encarregada de examinar um pedido de impeachment de Temer. Como em
abril o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo, admitiu que o vice-presidente
também pode ser alvo de impeachment, o Planalto se abespinhou com a decisão de
Maranhão. Considerado inconfiável, Maranhão só poderia ser afastado do cargo
pela renúncia de Cunha. Em troca desse favor a Temer, Cunha recebeu a promessa
de que o Palácio do Planalto fará o possível para ajudá-lo a conseguir votos
contra a cassação. Cunha quer influenciar sua sucessão, para garantir que o
processo contra ele seja conduzido por alguém de sua confiança.
A disputa pela cadeira de Eduardo Cunha já mobiliza mais de
uma dezena de partidos. Primeiro há uma disputa de interesses. O presidente
interino da Casa, Waldir Maranhão, quer esticar o prazo e realizar a eleição
apenas na quinta-feira, dia 14. Líderes partidários preferem fazer isso o mais
rápido possível, na terça-feira. Na semana passada, na quinta-feira, dia 7,
muitos políticos desistiram de sair de Brasília; muitos que haviam partido
decidiram voltar; grande parte passaria o final de semana na cidade, em
negociações em torno das candidaturas à cadeira. Um processo que, em tempos
normais, toma meses, será resolvido em menos de uma semana. Até o final da
semana passada o deputado Rogério Rosso, do PSD do Distrito Federal, presidente
da comissão de impeachment na Câmara, despontava como favorito. Rosso nega ter
qualquer interesse em disputar mandato-tampão, mas tem experiência no assunto:
em 2010 exerceu por alguns meses o governo do Distrito Federal num vácuo de
poder semelhante. Discretamente, Rosso articula apoio do Palácio do Planalto. A
recente proximidade com Michel Temer o transformou em convidado para o almoço
dominical no Palácio do Jaburu, com a família.
O relator da comissão, Jovair Arantes, do PTB goiano, também
corria na dianteira. Jovair articula abertamente sua candidatura, valendo-se do
apoio antigo que recebe de Eduardo Cunha – de quem Rosso também é próximo,
apesar de afirmar o contrário. O PMDB não descarta a possibilidade de ter um
candidato próprio. Se esse for o caso, os deputados Osmar Serraglio (PMDB-PR) e
Baleia Rossi (PMDB-SP) estão na disputa. Serraglio, que é simpático a Cunha,
tem no currículo uma trajetória, até agora, sem denúncias de corrupção. Ele foi
também o relator da CPI dos Correios, que investigou o mensalão.
Mas, a levar em conta todas as conversas da semana passada,
havia 12 candidatos, número elevado para um universo de 513 eleitores.
Anunciaram também a entrada na disputa de uma companheira de partido de Jovair,
Cristiane Brasil, do PTB fluminense, filha do ex-deputado Roberto Jefferson, e
do deputado Fausto Pinato, do PP paulista, primeiro relator do processo de
cassação de Cunha no Conselho de Ética. Pinato apoia sua notoriedade no fato de
ter sido afastado da função por uma manobra de Cunha. Costuma gabar-se a amigos
de ser o estopim para tudo o que aconteceu no centro da República desde então.
“Não fosse o meu relatório no Conselho de Ética, petistas e aliados de Cunha
teriam enterrado o processo de cassação e não teríamos o impeachment e nem nada
do que se seguiu depois”, diz. Apesar de não ter o apoio nem de seu partido,
Pinato defende que é preciso eleger para o cargo “uma pessoa isenta”, que não
opere mediante os interesses do governo ou de Cunha.
Com espaço para todo tipo de candidato e para todo tipo de
sondagem de terreno, líderes de vários partidos começaram a buscar,
discretamente, informações na Procuradoria-Geral da República. Na terça-feira,
o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se reuniu com parlamentares
para discutir o pacote 10 Medidas Contra a Corrupção, que o Ministério Público
tenta aprovar no Congresso. Ali, os parlamentares já buscavam um termômetro da
sucessão na Casa. A preocupação é encontrar um candidato que não tenha a ficha
suja e que não partirá para o confronto com o Ministério Público Federal, algo
impensável nestes tempos de apoio quase unânime à Operação Lava Jato. Sinal de
favoritismo, vários líderes tentaram desvendar as impressões dos procuradores
sobre Rogério Rosso, do PSD.
Livrar-se do “problema” Eduardo Cunha e definir um novo
presidente da Câmara são movimentos vitais para o governo Temer neste momento.
A articulação política de Temer tem se mostrado mais habilidosa que a de Dilma
Rousseff – algo que, todos concordam, nem pode ser considerado um feito. Diante
de uma contingência tão delicada como uma eleição-relâmpago na Câmara, com
Cunha por perto, o Palácio do Planalto deve manter-se na difícil posição de não
fazer campanha por nenhum candidato, sem permitir que alguém perigoso a seus
interesses chegue ao posto. O objetivo primordial é não cometer o erro crasso
da gestão Dilma-
Mercadante, de abrir uma guerra contra um candidato que pode
sair vitorioso. A preocupação maior é a pulverização de candidaturas de um
mesmo grupo, que pode levar à vitória de alguém que tenha controle sobre poucos
votos.
Um deputado que costuma frequentar o Palácio do Jaburu diz
que o momento atual ainda não é de guerra com a Câmara, mas o clima não é dos
melhores. “Estamos naquele momento da volta da lua de mel, no avião, já cientes
de algumas diferenças”, ironiza. Uma demonstração da onda de insatisfação que
paira sobre o Congresso foi a votação do projeto sobre as dívidas dos estados.
Na semana passada, o líder do governo, deputado André Moura, do PSC de Sergipe,
avisou que a matéria era prioritária e tentou retomar a urgência em votação na
quarta-feira. Já o mérito seria discutido em outra sessão. Faltaram quatro
votos para que a urgência fosse aprovada – uma derrota considerada ridícula
pelo governo, mas que mostra a insatisfação dos deputados.
Na visão do Palácio, faltou habilidade a Moura, já tachado
como “um pouco ingênuo” por desconhecer algumas artimanhas regimentais básicas
usadas por parlamentares para alcançar seus desejos, por exemplo. O Planalto
também ficou irritado com a forma como Fernando Giacobo, do PR do Paraná,
conduziu a sessão. O também candidato à disputa pela presidência da Câmara foi
desqualificado por Temer e aliados por ter encerrado rápido demais a sessão,
que impôs derrota ao governo. Parlamentares aliados relataram ao Planalto que
não conseguiram chegar a tempo ao plenário da Câmara para votar pelo regime de
urgência. Até pouco tempo, tanto Moura como Giacobo agiam sob as ordens de Eduardo
Cunha. Pareciam maiores.
O Planalto sabe que grande parte dos deputados quer apenas
ver realizadas suas indicações para cargos de médio e baixo escalão no governo.
Diferentemente da era Dilma, em que parlamentares nem eram recebidos no Palácio
do Planalto, o acesso foi liberado na gestão Temer. A antessala do gabinete do
ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, parece uma fila de supermercado.
Já o Secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, fez como as agências bancárias:
separou uma sala em frente a sua para acomodar os parlamentares. O problema,
reclamam os deputados, é que todos saem sem nada. Muitos já acusam Geddel de só
cuidar dos próprios interesses e chamam Sandro Mabel, a antena de Temer no
Congresso, de um “sujeito confuso”. Muitos já reclamam diretamente do
presidente. “Ele responde quando mandamos WhatsApp. Mas, na hora de atender às
demandas, só os senadores estão tendo sorte”, diz um parlamentar de um partido
nanico. Há uma lógica nisso: a prioridade do Planalto é o Senado, onde precisa
manter ao menos 54 votos pelo impeachment de Dilma, a ser votado em agosto.
Ciente das necessidades do Planalto, não foi à toa que
Eduardo Cunha mencionou em sua carta de renúncia o impeachment de Dilma entre
seus “grandes feitos”. Também ciente, Temer enviou uma mensagem de
agradecimento pela menção a seu nome no texto e pelo desejo de sucesso feitos
por Cunha. Desde uma conversa que tiveram no domingo à noite do Palácio do
Jaburu, Cunha e Temer não falaram diretamente; comunicaram-se apenas por intermediários.
Os aliados acham que Cunha demorou demais. “Se ouvisse as pessoas que realmente
gostam dele, teria renunciado dois dias após o impeachment”, diz um deputado
que frequenta assiduamente a residência oficial da presidência da Câmara, da
qual Cunha terá de se mudar em até um mês. À mesma conclusão chegou um senador
tucano, que, por sua vez, diz nunca ter se entendido muito bem com o deputado.
“Se ele fosse tão inteligente como dizem que é, teria saído há muito mais
tempo. Mas é difícil abrir mão do poder para quem o poder é tudo”, afirma.
Tão forte e poderoso, Eduardo Cunha começou a cair quando a
Operação Lava Jato descortinou sua atuação em negócios da Petrobras. Tornou-se
alvo de seis inquéritos no Supremo e já é réu em dois. Algumas descobertas das
investigações foram decisivas para reverter a tendência de seu processo no
Conselho de Ética, que caminhava para a salvação (leia o quadro ao lado). A
renúncia tem pouco impacto nos inquéritos em tramitação no Supremo e nas
apurações em curso. A única alteração é que, como não é mais presidente, seu
caso não precisa ser examinado pelo plenário do Supremo; pode ser examinado
pelas turmas, compostas de cinco ministros. A renúncia é um salto para trás
para Cunha, mas um mísero passo para a Lava Jato. Os investigadores a veem como
uma manobra de Cunha para manter o mandato e evitar medidas drásticas contra
si. As lágrimas não convenceram ninguém.
RECORDANDO ZÉ PRADO
Memória – Em 11 de julho de 1931, nasce em Sobral (CE), José
Parente Prado, filho do ex-prefeito de Sobral Jerônimo Medeiros Prado e
Francisquinha Gomes Parente Prado. Em continuidade aos passos do pai, Zé Prado
ingressa na política em 1972.
Eleito prefeito de Sobral por duas vezes, deputado estadual
por três legislaturas. Casado com dona Maria do Socorro Barroso Prado; tiveram
três filhos: Ricardo Prado, Marco Prado e José Inácio.
Zé Prado torna-se um dos políticos mais respeitado e admirado
em Sobral - zona norte – e no Estado do Ceará. Sempre empenhado no bem-estar do
povo sobralense e do Ceará respeitou o rico e esteve sempre em defesa do pobre.
Com jeito simples, amigo e companheiro de fazer política,
ele cativou até adversários, que se rendiam a um abraço do “Zé dos Pobres”,
como era conhecido pela população sobralense.
José Parente Prado faleceu em 26 de maio de 1999, vítima de
infarto, no Hospital Dr. Estevão, em Sobral (CE). Deixou esposa, filhos, Pai
(faleceu em 2003), irmãs, netos, parentes e amigos!
Saudade do “Zé dos Pobres”!
sábado, 9 de julho de 2016
FERIADO CÍVICO
A Revolução Constitucionalista de 1932 completa 84 anos hoje. É o maior feriado cívico do Estado de São Paulo, onde os paulistas homenageiam os combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, que ficou conhecida como Guerra Paulista.
Com o rompimento da chamada “política do café com leite”, em 1929, entres os Estados de Minas Gerais e São Paulo, desencadeou a Revolução de 1932.
Em reação ao fim da política do café com leite, os estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul lideraram o movimentou que culminou no Golpe de 1930.
Os paulistas saíram derrotados do embate, mas não se pode dizer que foi em vão; em 1934 sob pressão social o governo de Getúlio Vargas criou uma nova Constituição Federal.
Com o rompimento da chamada “política do café com leite”, em 1929, entres os Estados de Minas Gerais e São Paulo, desencadeou a Revolução de 1932.
Em reação ao fim da política do café com leite, os estados de Minas Gerais, Paraíba e Rio Grande do Sul lideraram o movimentou que culminou no Golpe de 1930.
Os paulistas saíram derrotados do embate, mas não se pode dizer que foi em vão; em 1934 sob pressão social o governo de Getúlio Vargas criou uma nova Constituição Federal.
sexta-feira, 8 de julho de 2016
PASSAPORTE DIPLOMÁTICO
A Justiça Federal em São Paulo determinou liminarmente a
suspensão dos passaportes diplomáticos concedidos ao pastor R. R. Soares e a
sua mulher Maria Magdalena Ribeiro Soares, da Igreja Internacional da Graça de
Deus, concedidos pelo ministro das Relações Exteriores José Serra (PSDB) na
quarta-feira da semana passada, 29 de junho. A decisão liminar acata o pedido
em ação popular movida pelo advogado
Ricardo Amin Abrahão Nacle questionando a concessão do benefício aos pastores.
Na decisão, o juiz da 7ª Vara Federal Cível Tiago Bologna
Dias dá cinco dias para os pastores entregarem o documento à Justiça e aponta
que a concessão do benefício aos religiosos
representa uma “confusão entre Estado e religião incabível”.
“Na Ordem Constitucional vigente o Estado é laico, há
separação plena entre Igreja e Estado, de forma que é efetivamente incompatível
com a Constituição que líder religioso, nesta condição e no interesse de sua
instituição religiosa, seja representante dos interesses estatais brasileiros
no exterior”, assinala o magistrado.
Tiago Bologna Dias contesta o argumento do Ministério das
Relações Exteriores de que a concessão do benefício aos pastores atende ao
“interesse do País”, uma das justificativas previstas na legislação sobre o
tema.
Para o magistrado, ainda que a legislação deixe em aberto
algumas possibilidades para a concessão do benefício, “Isso não quer dizer
arbitrariedade, vale dizer, a opção de conveniência e oportunidade deverá
respeitar os parâmetros constitucionais, legais e regulamentares incidentes e
sua conformidade com os fins do instituto”. Além disso, o juiz apontou que,
além do alegado interesse do País, o Ministério deve explicar os motivos de
forma mais detalhada para autorizar os passaportes, o que não foi feito na portaria
envolvendo R. R Soares e sua mulher.
Na prática, o passaporte diplomático permite a R. R Soares e
sua mulher entrarem e saírem de alguns países com relação diplomática com o
Brasil sem a necessidade de visto ou qualquer outra burocracia. O passaporte,
contudo, não dá imunidade diplomática a eles.
Religiões. Não é a primeira vez que o governo federal
concede o benefício a líderes religiosos. Em 2013, durante o governo Dilma
Rousseff, o líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, Valdemiro Santiago de Oliveira,
e a mulher dele, Franciléia de Castro Gomes de Oliveira também receberam o
benefício. Outros líderes de igrejas também já receberam o documento, que dá
direito ao uso de uma fila especial nos aeroportos, mas não dá imunidade
diplomática.
[veja_tambem]
Com menos de uma semana no cargo, em maio deste ano, José
Serra concedeu o mesmo benefício para o pastor Samuel Ferreira e a mulher
Keila, também pastora, da Assembleia de Deus. Ferreira é investigado na Lava
Jato suspeito de lavar dinheiro de propina para Eduardo Cunha (PMDB-RJ) por
meio da igreja em Campinas.
Apesar da repercussão negativa do caso, a Justiça de São
Paulo negou o pedido liminar para a suspensão dos passaportes diplomáticos de
ambos, também solicitado em uma Ação Popular de Ricardo Nacle. Foi a primeira
vez, desde o começo da Lava Jato, que um investigado sem prerrogativa de foro
recebeu o benefício dado a autoridades.
Segundo o Itamaraty, a política de conceder os passaportes a
líderes evangélicos busca dar igualdade de tratamento às diferentes religiões,
já que líderes católicos recebem o documento também. A gestão de Serra,
contudo, já informou que pretende reavaliar as políticas de concessão de
passaportes diplomáticos.
Ao mandar suspender o benefício a R. R. Soares e sua mulher,
o juiz Tiago Bologna Dias questionou a justificativa que aparece no site do
Ministério de que, durante o período imperial, o passaporte diplomático era
concedido a líderes católicose que, por isso, hoje o Brasil concede o benefício
a todas as religiões. Para o juiz, a justificativa não se sustenta, pois no
período imperial o Brasil não era laico.
“Modificado este princípio fundamental do Estado, a atenção
à isonomia se dá com a não concessão do passaporte diplomático a qualquer líder
religioso, inclusive os católicos, não a extensão desta esta prática
reconhecidamente arcaica e inconstitucional, que ofende a isonomia entre os
líderes religiosos e os demais cidadãos”, segue o juiz.
O sistema de concessão de passaportes diplomáticos foi
alterado em 2011, depois de revelado que os filhos e netos do ex-presidente
Luiz Inácio Lula da Silva tinham o documento mesmo depois da sua saída do
governo e de não serem menores de idade, como determinava o decreto sobre o
tema. Na época, a legislação dava ao ministro o poder de decidir quem poderia
receber o passaporte em casos considerados de interesse nacional, e o então
ministro das Relações Exteriores Celso Amorim, concedeu o documento aos filhos
de Lula pouco antes do final de seu governo, em 2010.
A reportagem encaminhou e-mail para a assessoria de R. R
Soares e para a Advogacia-Geral da União, que representa a União na ação
popular, mas ainda não obteve retorno.
quinta-feira, 7 de julho de 2016
TCHAU, PRESIDÊNCIA
Do UOL
O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) anunciou nesta
quinta-feira (7) a decisão de renunciar à presidência da Câmara, cargo do qual
ele estava afastado desde maio, por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal)
que o suspendeu do exercício do mandato. Ele não renunciou ao mandato.
Cunha leu, com a voz embargada e lágrimas nos olhos, uma
carta de renúncia no Salão Nobre da Câmara. Ele estava acompanhado dos
deputados Carlos Marun (PMDB-MS) e João Carlos Bacelar (PR-BA).
"Resolvi ceder aos apelos generalizados dos meus
apoiadores. É público e notório que a Casa [Câmara] está acéfala, fruto de uma
interinidade bizarra que não condiz com o que país espera de um novo tempo após
o afastamento da presidente da República. Somente minha renúncia poderá pôr fim
a esta instabilidade sem prazo. A Câmara não suportará esperar
indefinidamente", disse o deputado.
O deputado já havia negado a renúncia em diversas ocasiões.
O deputado demonstrou emoção ao falar das acusações contra
sua mulher e filha, também investigadas pelo uso de contas na Suíça suspeitas
de terem recebido propina do esquema de corrupção na Petrobras.
Segundo Cunha, seus opositores utilizaram as suspeitas
contra sua família "de forma cruel e desumana, visando me atingir",
disse. A mulher dele, Cláudia Cruz, se tornou ré num processo criminal sobre as
contas suíças aberto pelo juiz federal Sérgio Moro, responsável pela Operação
Lava Jato na 13ª Vara Federal de Curitiba.
O deputado voltou a afirmar inocência nas acusações contra
ele. "Quero reiterar que comprovarei minha inocência nesses inquéritos.
Reafirmo que não recebi qualquer vantagem indevida de quem quer que seja",
disse.
No pronunciamento, Cunha fez uma breve retrospectiva de seu
mandato na Presidência da Câmara e ressaltou sua decisão de ter aberto o
processo de impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.
"Tenho a consciência tranquila, não só da minha
inocência, mas de ter contribuído para que meu país se tornasse livre do
governo criminoso do PT", afirmou.
Importantes líderes do PMDB, além do próprio Cunha, também
são investigados pela Lava Jato.
Dizendo-se "perseguido", Cunha afirmou que sua
decisão de abrir o processo de impeachment foi um dos motivos que levou a
Procuradoria-Geral da República e o STF a determinarem seu afastamento.
A leitura da carta de renúncia durou menos de dez minutos.
Ele encerrou dizendo "que Deus abençoe essa nação".
Com a renúncia à presidência, a Câmara tem até cinco sessões
para eleger o sucessor de Cunha, que terá uma "gestão tampão" até 1º
de fevereiro de 2017. Atualmente, a Câmara é presidida interinamente por Waldir
Maranhão (PP-MA), criticado por frequentemente recuar em suas decisões.
Apesar de não ter renunciado ao mandato, Cunha continua
afastado de suas atividades como deputado por decisão do STF.
A renúncia ocorre dias antes de a CCJ (Comissão de Constituição
e Justiça) votar recurso do peemedebista contra pedido de cassação de seu
mandato aprovado pelo Conselho de Ética.
Ao deixar o cargo, deputados avaliam que Cunha espera
conseguir conquistar apoio na CCJ e no plenário para salvar seu mandato.
O processo no Conselho de Ética também acusa o deputado de
ter mentido à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, em março de
2015, quando disse não possuir contas no exterior. Posteriormente, a
Procuradoria-Geral da República confirmou a existência de contas na Suíça
ligadas a Cunha e seus familiares. O deputado diz não possuir contas bancárias,
mas trusts, um tipo de investimento para o qual não seria exigida à declaração
à Receita Federal.
O processo chega à sua reta final como o mais longo que já
tramitou no Conselho de Ética da Câmara. A representação foi entregue em
outubro de 2015, mas seu andamento tem sofrido atrasos devido a expedientes de
aliados, acusados, por deputados que querem a cassação do peemedebista, de
promoverem "manobras" para beneficiar Cunha e adiar o desfecho do
caso.
O deputado e seu advogado de defesa no conselho, Marcelo
Nobre, têm negado veementemente a realização de "manobras" e dizem se
valer apenas do direito de defesa do deputado.
O advogado de Cunha no processo, Marcelo Nobre, afirmou que
o parecer de Rogério não apresentou provas da existência de contas na Suíça em
nome do peemedebista. A defesa alega que trusts não são contas bancárias, mas
um tipo de investimento em que os bens são administrados por terceiros e para o
qual não é exigido sua declaração à Receita Federal.
"Sabe porque o parecer tem 90 páginas? Porque não tem
prova. Porque a prova caberia em uma linha. Cadê o número da conta do banco?
Não existe. Eu não preciso de 90 páginas, eu preciso de uma linha com o número
da conta, o nome do banco e o nome de meu cliente", disse Nobre.
"Condenar sem provas é linchamento. Espero que todos nós aqui nunca
passemos por uma acusação sem prova, e muito pior, uma condenação sem
prova", afirmou o advogado.
Molon (Rede-RJ) ironizou a afirmação do advogado de Cunha.
"Parece que só o advogado do representado não viu a conta. Se não há
conta, será que Banco Central multou o deputado Eduardo Conta por que ele não
tem conta?", disse Molon.
Nesta terça-feira, o Conselho de Ética recebeu documentação
do Banco Central sobre a multa de R$ 1 milhão aplicada contra Cunha por manter
recursos não declarados no exterior.
Outras denúncias contra Cunha
Além das acusações que enfrenta no Conselho de Ética, Cunha
se tornou réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no STF e é alvo de
pelo menos outras duas denúncias e de um inquérito no STF. Segundo o
"Estadão Conteúdo", o número de denúncias contra Cunha no STF, em
maio, era de oito.
Em uma das ações, que deve ser julgada no dia 23, a Procuradoria-Geral
da República acusa Cunha de ter abastecido contas secretas na Suíça com
dinheiro de propina do esquema da Petrobras. Caso aceita a denúncia e torne o
deputado réu num segundo processo, esta seria a primeira manifestação do STF
sobre as contas suíças de Cunha.
A terceira denúncia da Procuradoria acusa o peemedebista de
ter solicitado e recebido propina do consórcio formado por Odebrecht, OAS e
Carioca Christiani Nielsen Engenharia –que atuava na obra do Porto Maravilha–
no montante de cerca de R$ 52 milhões.
A mulher do deputado, Cláudia Cruz, se tornou ré pelos
crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, após o juiz federal Sérgio
Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba, aceitar denúncia do Ministério Público
Federal que também trata do uso das contas suíças pela mulher do deputado.
Há ainda um inquérito contra Cunha no STF em que ele é
acusado de recebimento de propina de Furnas.
Cunha nega irregularidades em todos os casos e só é réu no
primeiro deles. Nos outros, o STF ainda precisa julgar se aceita o pedido da
PGR.
UM FESTIVAL DE DISPARATES
Quando o desespero bate à porta é altíssima a probabilidade
de que a resposta sejam disparates. É o que está acontecendo com os petistas, a
começar por seu maior líder, Luiz Inácio Lula da Silva, que viajou a Brasília
disposto a convencer senadores a votar contra o impeachment da presidente
afastada Dilma Rousseff com um argumento fantástico: com sua ex-pupila de volta
ao Planalto, ele próprio assumirá de fato o comando do País para executar uma
redentora “nova política econômica”, segundo se noticia. Paralelamente, para
prevenir a eventualidade de más notícias na Operação Lava Jato que atrapalhem a
execução de seus planos, Lula determinou a seus advogados que entrassem com um
recurso de “exceção de suspeição” contra o juiz Sergio Moro, solicitando seu
afastamento dos três inquéritos em que é investigado por corrupção no âmbito da
13.ª Vara Criminal Federal, na capital paranaense.
Os advogados de Lula protocolaram terça-feira na Justiça
Federal do Paraná um pedido para que Sergio Moro se declare suspeito para
julgar os processos que envolvem o ex-presidente. Afirmam que o líder petista
“não teme ser investigado nem julgado por qualquer juiz: quer justiça e um
julgamento imparcial, simplesmente”. E deve querer também um magistrado que
acredite em histórias da Carochinha, como a de que frequenta regularmente com
toda a família um confortável sítio reformado a seu gosto em Atibaia apenas
para atender a insistentes convites de amigos generosos.
Na hipótese de que a Operação Lava Jato não existisse e
houvesse uma possibilidade mínima de se concretizar a delirante ideia de Lula
de transformar Dilma num simulacro de rainha da Inglaterra e assumir ele
próprio o poder de fato, estaria finalmente configurado o tal “golpe” de que os
petistas tanto falam. O poder estaria sendo usurpado por quem não foi
legitimado pelo voto popular, ao contrário do que ocorre com o presidente em
exercício Michel Temer, que substitui Dilma por disposição constitucional e
pela mesma razão passará provavelmente a suceder-lhe em caráter definido depois
do fim de agosto.
Ninguém em Brasília, nem nos gabinetes de parlamentares
petistas, leva a sério qualquer tentativa, inclusive por parte de Lula, de
evitar o impeachment de Dilma. Nem a própria presidente afastada acredita
sinceramente nessa possibilidade, como sugerem as notícias segundo as quais em
suas idas regulares a Porto Alegre nos fins de semana ela tem levado objetos
pessoais de volta para casa. Para salvar as aparências, no entanto, Dilma tem procurado
manter uma agenda de reuniões com apoiadores, no Palácio da Alvorada. E é lá
que a imaginação corre solta atrás de fórmulas milagrosas capazes de acabar com
o impeachment.
Como não têm mais nada a perder, os petistas não se
constrangem de recorrer às ideias mais disparatadas na tentativa de manter um
discurso que lhes permita sobreviver politicamente. É o que Lula tem procurado
fazer, quando defende a necessidade de uma “nova política econômica” que ele
próprio se encarregaria de implantar se Dilma voltar ao Planalto. Isso
significaria, em resumo, a retomada da ampla intervenção do Estado na atividade
econômica, com a profusa distribuição de crédito para o consumo da classe média
e de incentivos de toda ordem para empresas-companheiras se tornarem “campeãs”.
A gastança generalizada e irresponsável, enfim, porque, afinal, um “governo
popular” tudo pode para fazer o povo feliz. Mas como as mesmas causas tendem a
gerar os mesmos efeitos – no caso, uma economia falida – é difícil imaginar que
o próprio Lula leve a sério os assomos populistas com que tenta manter
mobilizadas em torno de si as entidades sindicais e organizações sociais sobre
as quais, por enquanto, o PT ainda mantém algum tipo de controle.
Enquanto isso, o festival de disparates petistas continua
assolando o País. Coube à filósofa Marilena Chaui propagar uma fantástica
teoria conspiratória: segundo ela, o juiz Sergio Moro foi treinado pelo FBI não
para acabar com a corrupção no Brasil, mas para acabar com a Petrobrás, de modo
a que a exploração do pré-sal seja tirada da Petrobrás e entregue às “seis
irmãs” da indústria petroleira. Esse despautério está disponível no YouTube.
Virará tema de uma próxima passeata do “exército do Stédile”?
ESTÁ TUDO PREPARADO
Do Blog do Lauro Jardim, O Globo
Finalmente, o notório Eduardo Cunha capitulou.
Está tudo preparado para Cunha anunciar hoje à tarde sua
renúncia à Presidência da Câmara, dentro de um acordão para salvar seu mandato
da cassação.
Cunha esteve reunido até a madrugada de hoje com sua tropa
de choque na residência oficial do presidente da Câmara. Voltou a conversar com
o grupo hoje bem cedo, no café da manhã.
De acordo com quem participou das conversas, Cunha cedeu. E
dará uma entrevista daqui a pouco para dizer que está deixando a presidência da
Câmara.
É o começo do fim.
CERCO DO IMPEACHMENT
Cerco do impeachment se fecha em torno de Dilma Rousseff
A presidente afastada Dilma Rousseff, à beira do
impeachment, negou nesta quarta-feira ter violado a Constituição e reivindicou
sua luta contra a ditadura e sua vitória nas urnas em uma defesa escrita no
Senado, onde tramitam as últimas instâncias do processo de destituição.
Dilma, suspensa do cargo desde 12 de maio, fez um forte
apelo aos senadores, mas optou por não dar seu testemunho pessoalmente perante
a comissão especial do impeachment, onde sua força é minoritária e seu
advogado, o ex-ministro de Justiça Eduardo Cardozo, leu a apresentação.
“Já sofri a dor indizível da tortura, já passei pela dor
aflitiva da doença e hoje sofro a dor igualmente inominável da injustiça. O que
mais dói neste momento é a injustiça. O que mais dói é perceber que estou sendo
vítima de uma farsa jurídica e política”, destacou Dilma em sua carta.
O comunicado recorreu à biografia de Dilma Rousseff, que foi
detida e torturada durante a ditadura militar (1964-1985) e superou um câncer,
e fez advertências sobre a marca que deixará na história se for destituída.
“É apenas uma questão de tempo para que os que hoje se
julgam vitoriosos sejam colocados no devido lugar que a luta democrática e a
história lhes reserva”, acrescentou.
Caso encerrado
A presidente, uma economista de 68 anos, tinha justificado
na terça-feira sua ausência na comissão por questões ligadas à sua estratégia
de defesa, mas não descartou se defender pessoalmente quando o caso chegar ao
plenário do Senado, onde deverá superar duas votações antes de chegar à
sentença.
“É um jogo de cartas marcadas e aconselhamos à presidente
que não venha para não avalizar este golpe e que só vá ao plenário”, disse
Lindbergh Farias, senador do PT.
Tudo indica que em 4 de agosto, véspera da abertura dos
Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro, a comissão recomendará a destituição de
Dilma e que este parecer será ratificado cinco dias depois no plenário do
Senado por maioria simples.
Mas para afastá-la do cargo, definitivamente é necessário
que uma maioria especial de 54 dos 81 senadores a condenem durante uma sessão
final, conduzida pelo presidente da Suprema Corte, programada para ser
realizada entre 25 e 27 de agosto, pouco depois do encerramento dos Jogos
Olímpicos.
No governo há modestas expectativas de se consiga modificar
o voto de 4 ou 5 senadores, mudando o resultado. Para a oposição, o caso está
encerrado.
“A questão já está definida porque os crimes foram cometidos
e provados”, disse à AFP o senador Cassio Cunha Lima (PSDB).
Cunha Lima antecipou que terá 16 dos 21 votos possíveis na
comissão e somará pelo menos 59 votos no plenário, cinco a mais que os
necessários.
Constituição versus golpe
Dilma Rousseff afirma que o impeachment não tem base legal e
é uma ruptura da ordem democrática de parte da ala conservadora da coalizão que
a levou ao poder, apoiada pela oposição.
Para sua defesa não foram provadas as acusações de que teria
autorizado gastos sem a aprovação do Congresso e financiado o Tesouro através
de bancos públicos, uma manobra conhecida como “pedaladas fiscais”, considerado
crime de responsabilidade.
“Impeachment sem base legal é golpe”, diz um dos lemas mais
usados pelo PT.
Do outro lado, os acusadores acreditam que uma perícia
recente, elaborada por técnicos do Senado, eliminou dúvidas jurídicas sobre a
autorização de gastos por decreto sem a vênia do Congresso, apesar de ter
afastado a atuação pessoal de Dilma nas “pedaladas fiscais”.
“Bastaria um único crime para destituí-la, mas mesmo assim o
crime está caracterizado. Não era função da perícia apontar o autor e quando se
pratica uma fraude ninguém deixa suas impressões digitais. A presidente é a
autora intelectual”, disse Cunha Lima.
A crise institucional empurrou o Brasil para a incerteza e
alimentou a recessão econômica que atinge uma sociedade que, além do mais, se
mantêm em vigília pelas revelações escandalosas de um esquema de corrupção
generalizado, envolvendo especialmente a Petrobras.
O segundo mandato de Dilma termina no fim de 2018 e se for
deposta, o vice-presidente Michel Temer seguirá no governo até 1º de janeiro de
2019.
ERA TURISMO E SE ACABOU
Ex-ministro do Turismo do governo Dilma, Alessandro Teixeira
estaria próximo de separar-se de Milena Santos, Miss Bumbum EUA 2013. Segundo
interlocutores da modelo, ela afirmou que não é mais mulher de Teixeira. Em
seus perfis nas redes sociais, Milena já alterou seu status matrimonial. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Ela teria dito que pediu o divórcio e que está buscando uma
casa para morar sozinha em Brasília. A assessoria de imprensa de Milena afirmou
que a Miss Bumbum prefere não se pronunciar sobre a separação.
Em meados de abril deste ano, o casal ganhou repercussão
nacional, não pela posse do ex-ministro, mas por um ensaio fotográfico
realizado pelos dois no gabinete do ministério. Teixeira ficou menos de um mês
no cargo.
Com informações do Zero Hora
GOLPE, SE HÁ ALGUM, ESTÁ SENDO DADO PELO JUDICIÁRIO
Ruy Fabiano, Blog do Noblat
Golpe, se há algum, está sendo dado pelo Judiciário – mais especificamente, pelo STF. O habeas corpus concedido pelo ministro Dias Toffoli ao ex-ministro Paulo Bernardo – e sobretudo os termos com que o justificou – foi uma ducha de água fria na Lava Jato.
Aplicada aos demais, esvaziará as prisões de Curitiba. O mesmo STF que estabeleceu a prisão em segundo grau – isto é, antes que a sentença transite em julgado -, desfez, via Toffoli, o instituto da prisão preventiva. Haja paradoxo.
Paulo Bernardo, acusado de desviar R$ 100 milhões de pensionistas e aposentados – dinheiro que a polícia ainda não sabe onde está -, tem agora meios de desfazer provas e garantir a ocultação do que amealhou. Para ele, a liberdade, sim, é preventiva.
Anteriormente, ainda em princípios da Lava Jato, o STF mandou soltar Renato Duque, que tornou a ser preso, dias depois, por estar fazendo exatamente o que a sentença de Sérgio Moro tentara evitar: movimentando uma conta secreta em Mônaco, fornida pelas propinas da Petrobras. A lição, pelo visto, foi inútil.
O ativismo político do STF, que dificultou o quanto pôde o rito do impeachment no Congresso, sobrepondo-se à lei, o torna caudatário do desgaste de que o conjunto das instituições do Estado hoje padece. O caso Paulo Bernardo não é o mais grave.
Teori Zavaski, que cuida dos que, envolvidos na Lava Jato, têm foro privilegiado, foi severo em relação ao juiz Sérgio Moro, por ele ter divulgado o áudio de Lula, em que Dilma lhe dá o salvo-conduto da nomeação ministerial para que não seja preso.
As gravações dos telefonemas de Lula estavam autorizadas pela Justiça. Incidentalmente, Dilma ligou para ele. Não houve violação do sigilo da presidente. Em situação análoga, em 2012, o mesmo STF reagiu de maneira diferente, quando os grampos da Justiça flagraram uma conversa entre o contraventor Carlos Cachoeira (novamente preso) e o então senador Demóstenes Torres.
Demóstenes, como Dilma, tinha foro privilegiado, mas pagou o preço de estar conversando com um investigado. Nem de longe se cogitou de anular a eficácia daquela prova pelo fato de o senador ter sido fortuitamente capturado pelos grampos de uma autorização judicial de instância abaixo da que a lei lhe reservava.
No caso de Lula, apelou-se para uma ridícula minudência: a autorização havia cessado duas horas antes, embora a notícia não houvesse chegado ainda aos agentes e à telefônica – um lapso de tempo inevitável. Prevaleceu o rigor burocrático contra a gravidade do que fora captado. Lula e Dilma adoraram. Deixaram de ser vilões (não obstante o ato imoral que protagonizaram) e tornaram-se vítimas. De quebra, Sérgio Moro levou uma bronca pública.
E não só: Teori requereu tudo o que havia contra Lula, mesmo não tendo ele foro privilegiado, já que sua nomeação ao ministério fora suspensa pelo mesmo STF, por uma liminar do ministro Gilmar Mendes. Desde então, lá estão os processos contra o ex-presidente, sem que haja qualquer explicação para esse privilégio. Ele não é e não foi ministro e já não há o governo a que ele serviria.
A impressão que fica é de que a Lava Jato incomoda o STF, que, sempre que pode, age para detê-la. A presidente afastada Dilma Roussef repetia – e isso foi reiteradamente registrado na mídia, sem que houvesse desmentidos - que tinha seis votos no STF.
Não é difícil para quem acompanha o noticiário identificá-los. E Dias Toffoli, ex-advogado do PT e ex-assessor de José Dirceu, integra a lista dos, digamos assim, suspeitos. Igualmente, outros capturados por gravações – Delcídio do Amaral, Aloizio Mercadante, José Sarney – mencionaram ligações com ministros do STF para tentar sustar denúncias e processos. A reincidência, confrontada com atos como os de Teori e Toffoli, dá verossimilhança às suspeitas.
A presteza com que o tribunal agiu contra Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro – este, goste-se ou não dele, sem qualquer fundamento legal -, não se repete em relação a outros nomes, com protagonismo na defesa do PT.
É preocupante que a instituição que deveria pairar acima dos conflitos políticos, para poder arbitrá-los, tenha se tornado partícipe desse mesmo processo, perdendo a confiança da sociedade. Não é um antídoto contra a crise. É, hoje, parte dela.
Ruy Fabiano é jornalista
Golpe, se há algum, está sendo dado pelo Judiciário – mais especificamente, pelo STF. O habeas corpus concedido pelo ministro Dias Toffoli ao ex-ministro Paulo Bernardo – e sobretudo os termos com que o justificou – foi uma ducha de água fria na Lava Jato.
Aplicada aos demais, esvaziará as prisões de Curitiba. O mesmo STF que estabeleceu a prisão em segundo grau – isto é, antes que a sentença transite em julgado -, desfez, via Toffoli, o instituto da prisão preventiva. Haja paradoxo.
Paulo Bernardo, acusado de desviar R$ 100 milhões de pensionistas e aposentados – dinheiro que a polícia ainda não sabe onde está -, tem agora meios de desfazer provas e garantir a ocultação do que amealhou. Para ele, a liberdade, sim, é preventiva.
Anteriormente, ainda em princípios da Lava Jato, o STF mandou soltar Renato Duque, que tornou a ser preso, dias depois, por estar fazendo exatamente o que a sentença de Sérgio Moro tentara evitar: movimentando uma conta secreta em Mônaco, fornida pelas propinas da Petrobras. A lição, pelo visto, foi inútil.
O ativismo político do STF, que dificultou o quanto pôde o rito do impeachment no Congresso, sobrepondo-se à lei, o torna caudatário do desgaste de que o conjunto das instituições do Estado hoje padece. O caso Paulo Bernardo não é o mais grave.
Teori Zavaski, que cuida dos que, envolvidos na Lava Jato, têm foro privilegiado, foi severo em relação ao juiz Sérgio Moro, por ele ter divulgado o áudio de Lula, em que Dilma lhe dá o salvo-conduto da nomeação ministerial para que não seja preso.
As gravações dos telefonemas de Lula estavam autorizadas pela Justiça. Incidentalmente, Dilma ligou para ele. Não houve violação do sigilo da presidente. Em situação análoga, em 2012, o mesmo STF reagiu de maneira diferente, quando os grampos da Justiça flagraram uma conversa entre o contraventor Carlos Cachoeira (novamente preso) e o então senador Demóstenes Torres.
Demóstenes, como Dilma, tinha foro privilegiado, mas pagou o preço de estar conversando com um investigado. Nem de longe se cogitou de anular a eficácia daquela prova pelo fato de o senador ter sido fortuitamente capturado pelos grampos de uma autorização judicial de instância abaixo da que a lei lhe reservava.
No caso de Lula, apelou-se para uma ridícula minudência: a autorização havia cessado duas horas antes, embora a notícia não houvesse chegado ainda aos agentes e à telefônica – um lapso de tempo inevitável. Prevaleceu o rigor burocrático contra a gravidade do que fora captado. Lula e Dilma adoraram. Deixaram de ser vilões (não obstante o ato imoral que protagonizaram) e tornaram-se vítimas. De quebra, Sérgio Moro levou uma bronca pública.
E não só: Teori requereu tudo o que havia contra Lula, mesmo não tendo ele foro privilegiado, já que sua nomeação ao ministério fora suspensa pelo mesmo STF, por uma liminar do ministro Gilmar Mendes. Desde então, lá estão os processos contra o ex-presidente, sem que haja qualquer explicação para esse privilégio. Ele não é e não foi ministro e já não há o governo a que ele serviria.
A impressão que fica é de que a Lava Jato incomoda o STF, que, sempre que pode, age para detê-la. A presidente afastada Dilma Roussef repetia – e isso foi reiteradamente registrado na mídia, sem que houvesse desmentidos - que tinha seis votos no STF.
Não é difícil para quem acompanha o noticiário identificá-los. E Dias Toffoli, ex-advogado do PT e ex-assessor de José Dirceu, integra a lista dos, digamos assim, suspeitos. Igualmente, outros capturados por gravações – Delcídio do Amaral, Aloizio Mercadante, José Sarney – mencionaram ligações com ministros do STF para tentar sustar denúncias e processos. A reincidência, confrontada com atos como os de Teori e Toffoli, dá verossimilhança às suspeitas.
A presteza com que o tribunal agiu contra Eduardo Cunha e Jair Bolsonaro – este, goste-se ou não dele, sem qualquer fundamento legal -, não se repete em relação a outros nomes, com protagonismo na defesa do PT.
É preocupante que a instituição que deveria pairar acima dos conflitos políticos, para poder arbitrá-los, tenha se tornado partícipe desse mesmo processo, perdendo a confiança da sociedade. Não é um antídoto contra a crise. É, hoje, parte dela.
Ruy Fabiano é jornalista
LEGALIZAR O JOGO É INADEQUADO E ETICAMENTE CONDENÁVEL
Editorial, O Globo
A votação do projeto do senador Ciro Nogueira (PP-PI) que
abre as portas para a legalização dos jogos de azar no país, prevista para
amanhã no Senado, recebeu críticas precisas do Ministério Público Federal. É
imperioso que os parlamentares as levem em consideração.
Em si, a proposta é deletéria para o país por todos os
ângulos em que se analise a questão — político, criminal, econômico e ético. E,
em seu âmbito conjuntural, também a eventual aprovação do relatório do agora
ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que, no exercício do mandato, elaborou o
texto que irá ao plenário da Casa, será eticamente desastrosa para o país.
A iniciativa leva para o Parlamento a discussão do tema num
momento sensível, em que há senadores e deputados sob investigação, alguns
notoriamente ligados ao lobby da jogatina. A quem interessa a legalização dos
jogos de azar?
É hipócrita, por falso, o argumento de que o dinheiro da
jogatina tirada da clandestinidade terá impacto positivo no ajuste fiscal. Da
clandestinidade, grupos criminosos, alguns inclusive ligados a quadrilhas
mafiosas internacionais, controlam o grande volume de dinheiro que circula em
cassinos ilegais, no jogo do bicho, em máquinas caça-níqueis.
“Os criminosos chegaram a um limite de realização de seus
lucros e, para dar um salto além disso, necessitam da legalização dessas
modalidades”, observa o procurador Peterson de Paula, ao condenar a iniciativa
do Senado, em nome do procurador-geral Janot.
Ou seja, mesmo legalizado, o jogo continuará operando lucros
ao largo dos mecanismos de controle fiscal. São vozes sensatas, portanto, que
se levantam contra a jogatina que se pretende implantar no país.
Ainda nas palavras do procurador Peterson de Paula, “quem
controla essas atividades não se intimida em matar, corromper, desrespeitar
qualquer norma”. Rio e São Paulo, os dois maiores centros do país de exploração
clandestina dos jogos de azar, são ricos em exemplos da ação do crime
organizado na defesa, pela violência, de territórios conquistados e de avanço,
também à custa de mortes e intimidações, sobre áreas ainda inalcançadas por
seus domínios.
Uma questão adjacente, a equivocada decisão do STF de
proibir o financiamento de campanha por empresas privadas levará, por certo, ao
incremento do caixa dois nas eleições. Liberado o jogo, os esquemas de lavagem
dos grupos do crime organizado que o dominam por certo irrigarão campanhas, já
no pleito deste ano.
Por todos estes aspectos, é preciso conter o lobby de
parlamentares ligados a interesses da jogatina. O lulopetismo andou batendo
pestana para esses grupos, de olho no falso brilhante do reforço legal de caixa
do afastado governo Dilma; a base parlamentar do presidente interino, Michel
Temer, não pode incorrer no mesmo erro. Ao contrário, deve dar inequívoca
demonstração de que repudia qualquer movimento nesse sentido.
quarta-feira, 6 de julho de 2016
O CINISMO DE GLEISI
Guerrilheira de Dilma na Comissão do impeachment, a senadora
Gleisi Hoffmann (PT-PR) tem se caracterizado como uma das vozes mais
histriônicas do Congresso. Hoje, ela mostrou que seu cinismo não tem limites.
Gleisi deixou enfurecidos os senadores da Comissão de
Assuntos Econômicos durante sabatina dos indicados ao Banco Central ao
sustentar que a crise é promovida pelo setor privado e acaba abalando projetos
sociais do governo. “O culpado pela crise é o empresário brasileiro?”,
espantou-se o senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO).
A petista não respondeu. “A crise foi construída pela
irresponsabilidade e inconsequência dos governos do PT”, rebateu o senador
Ataídes. Na verdade, a crise é resultado basicamente da corrupção
institucionalizada pelo PT nos últimos 13 anos.
Aliás, essa mesma corrupção favoreceu diretamente a própria
senadora Gleisi e seu marido, o ex-ministro Paulo Bernardo. E por falar em
social, cabe lembrar que o casal é acusado de desviar R$ 100 milhões dos
funcionários públicos aposentados e endividados.
Da ISTOÉ
TEMPOS ESTRANHOS
Tenho a impressão de que o Brasil sofre de uma epidemia de zumbis. Será o caso de perguntar em que planeta vivemos e em que espécie de República, quando juízes e procuradores agem como se fossem políticos, famintos de publicidade, ou quando parte dos senadores da comissão de impeachment se traveste de magistrados, que já se decidiram antes mesmo de ouvir as partes.
Ou ainda quando corruptos de quatro costados arrogam-se paladinos da transparência e inimigos dos malfeitos. Na economia, até o mês passado, havia um imenssíssimo rombo e, no entanto, através de surpreendente aritmética, o Planalto sancionou a elevação dos proventos do Judiciário, a que se somam diversas bondades, causando vertiginoso impacto no Orçamento.
E nenhum ajuste às categorias que mais padecem. Urge saber qual a verdadeira espessura ética de nosso Parlamento. Impedido pelo Supremo de ir à Câmara, um dos maiores zumbis, e presidente informal do país, Eduardo Cunha foi recebido num domingo à noite, no Palácio do Jaburu por Michel Temer. Não há mesóclise capaz de camuflar tamanha estranheza.
Paira uma nuvem, difusa e discreta, para interromper a Lava-Jato. Outros zumbis alardeiam reformas que deveriam passar forçosamente pelas urnas, sobre o pré-sal, o Mercosul e fechamento de embaixadas. Questões sensíveis que exigem amplo debate e horizonte consensual.
Há outros zumbis que discorrem sobre a educação do país no Congresso, justo quando as escolas estão ocupadas em função de má qualidade do ensino, escândalos na merenda, salários baixos e atrasados. Nesse estranho cenário, as forças de segurança expulsam meninos e meninas, ao arrepio da lei, sem pedido de reintegração de posse, e com desmedida violência.
Tornou-se modelo aquele truculento governador que atacou professores com balas de borracha, bombas de efeito moral e cães ferozes. Por onde vai a Justiça? O debate sobre o ensino segue com enorme desfaçatez e despreparo conceitual. Eis uma lista irônica, inspirada nas atuais comissões do Parlamento, segundo a qual ficariam proibidos: Sigmund Freud, defensor da causa gay, Augusto Boal, dramaturgo subversivo, e o altamente perigoso Paulo Freire, com suas doutrinas marxistas.
Penso que seria oportuno evitar-se a leitura dos evangelhos, porque tecem o elogio da pobreza e da divisão de bens. Passariam apenas obras de cunho religioso fundamentalista, a defesa do Estado mínimo e da mão invisível. O discurso dos zumbis dá a impressão de que regredimos, de que voltamos à década de 70, aos tempos da Guerra Fria e do AI-5, das balas Dulcora, dos carros Gordinis e Vemaguets.
Em que mundo vivem nossos parlamentares? Registro minha indignação frente à marcha da insensatez que assola o Brasil. Paira uma velada ameaça à liberdade de ensino e cresce o triunfo da indigência, uma onda de intolerância e barbárie. Contra a atual epidemia de sonambulismo e letargia, fiquemos atentos, de olhos bem abertos.
Marco Lucchesi é escritor
ERA A CRISE QUE FALTAVA
Zuenir Ventura, O Globo
O momento atual caracteriza-se, como se sabe, pela
coexistência de várias crises — econômica, política, ética, ambiental, de
saúde. Ao longo da história contemporânea, elas existiram isoladamente, algumas
até mais graves, como a que levou Getúlio Vargas ao suicídio ou a que fez Jânio
renunciar. Mas não me lembro de uma que conjugasse todas ao mesmo tempo. Se
ainda faltava alguma, ela surgiu esta semana: a crise das tornozeleiras
eletrônicas, um produto de primeira necessidade para a polícia. A demanda está
superando a oferta, ou seja, há tornozelos demais no mercado do crime. A causa
se deve à eficiência da operação Lava-Jato e, no caso do Rio, à falência do
estado, que não tem dinheiro para pagar as dívidas com o fornecedor do
equipamento.
Pelo menos cinco desses tornozelos suspeitos não gostaram da
descoberta feita pelos repórteres Mariana Sanches, Luiz Souto e Tiago Dantas.
São eles o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o empresário Fernando Cavendish e
outros três, todos acusados de integrar o esquema que desviou R$ 370 milhões de
obras públicas feitas pela Delta, inclusive na reforma do Maracanã. Graças a
uma generosa decisão judicial, eles se preparavam para gozar o conforto de uma
prisão em casa, quando, por culpa da falta dos adereços de perna, foram
transferidos para o presídio Bangu 8, onde tiveram que seguir o ritual de todos
os delinquentes que vão parar ali: vestir o uniforme de presidiário e ter o
cabelo cortado rente. Para o contraventor, que continuava solto apesar de
condenado a 39 anos por crimes de peculato, corrupção e formação de quadrilha,
tudo era lucro. Mas para Cavendish, vindo da Europa e preso no aeroporto, foi
um triste desfecho de viagem. A foto 3x4 dele sem a invejável cabeleira (pelo
menos para quem é careca) lembrava, por contraste, a divertida imagem de quatro
anos atrás, quando, num luxuoso restaurante de Paris, foi flagrado dançando com
guardanapo amarrado na cabeça numa animada noite — ele e três secretários do
então governador Sérgio Cabral, que estava no jantar, mas não apareceu na foto.
O vexame de agora poderia ter sido evitado, se os hóspedes provisórios de
Bangu 8, tão habilidosos nas tenebrosas transações, tivessem tido a ideia de
pagar os R$ 2,8 milhões de dívida atrasada das tais tornozeleiras, uma ninharia para uma empresa
como a Delta, que faturou bilhões construindo e restaurando estádios, pontes,
viadutos em todo o país. Teriam evitado não só o próprio constrangimento, como
o da cidade, já com tantos problemas às vésperas da Olimpíada.
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